A assistência ao parto no Grande Recife foi alvo de protesto, na manhã de ontem. Aproveitando o Dia Internacional da Mulher, a representação do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) em Jaboatão dos Guararapes promoveu manifestação, cobrando à prefeitura a abertura de maternidade. O prefeito Elias Gomes anunciou no mesmo dia edital para construção de uma unidade de alto risco no bairro de Sucupira, mas as obras só começarão em três meses. Ao mesmo tempo, a Secretaria Estadual de Saúde divulgou a aprovação pelo Ministério da Saúde de R$ 32 milhões extras que vão ajudar quatro maternidades de alto risco da RMR a melhorar instalações e equipamentos.
“Pelo menos 67% das nossas crianças estão nascendo em outros municípios. Há mais de 15 anos foi fechada a maternidade municipal e até agora a Prefeitura de Jaboatão não providenciou um novo serviço”, criticou Raphael Mello, secretário do PTB no município. Segundo ele, é inaceitável que a segunda maior cidade em população do Estado só tenha um serviço hospitalar mantido pelo governo estadual, onde há oito leitos de maternidade, e outro conveniado, que deixou de oferecer atendimento obstétrico.
À tarde, o prefeito Elias Gomes (PSB) anunciou o edital de licitação para construção da maternidade de alto risco, que será referência para a RMR. O projeto tem valor estimado em R$ 20 milhões, maior parte garantida pelo Ministério de Saúde e captada pela Secretaria Estadual de Saúde. O serviço contará com 90 leitos, 60 deles obstétricos e os demais neonatais.
ESTADO
A secretária-executiva de Assistência da Secretaria Estadual de Saúde, Tereza Campos, informou que os R$ 32 milhões aprovados deverão contemplar as maternidades do Hospital das Clínicas, Imip, Centro de Saúde Amaury de Medeiros e Agamenon Magalhães. O apoio, até 2014, deverá ser usado para melhoria dos serviços, em instalações físicas ou equipamentos.
Tereza Campos também informou que no dia 31 será reaberta a Maternidade Petronila Campos, de São Lourenço da Mata, fechada há mais de um ano pela prefeitura da cidade. Serão 33 leitos para parto de baixo risco. Segundo ela, a Prefeitura de Olinda também dá andamento às obras da Maternidade Brites de Albuquerque, para que seja reaberta em breve. Posteriormente o serviço também deve ganhar leitos de alto risco.
Hoje, as maternidades do Cisam, Hospital das Clínicas, Agamenon Magalhães, Imip e Barão de Lucena são as únicas de alto risco do Grande Recife. Estão localizadas na capital e vivem superlotadas, com demanda local e de todas as regiões do interior do Estado. Os leitos desses serviços são disputados por mulheres que têm parto prematuro, pré-eclâmpsia e outras complicações, inclusive as geradas pela demora da assistência. Além dessas, funciona outra de alto risco em Petrolina, no Hospital Dom Malan. O Estado planeja um novo serviço em Caruaru.
A secretária avalia que a assistência ao parto ainda não é suficiente mas já melhorou muito. “O número de partos nos hospitais regionais cresceu 17% em 2011, abrimos novos leitos em diferentes regiões e as vagas de UTI neonatal subiram de 62, em 2007, para 111 em 2012”, comparou.
Diagnóstico de câncer vai ter oferta ampliada
Além de anunciar apoio para maternidades de alto risco, o Estado garantiu, ontem, Dia Internacional da Mulher, que vai combater com mais firmeza dois dos principais causadores de morte das pernambucanas: câncer de colo de útero e de mama. A expectativa é que, este ano, todas as mulheres que procurarem assistência médica, em qualquer região, para diagnóstico e tratamento das doenças tenham acesso a exames preventivos e ao tratamento.
A aposta da Secretaria Estadual de Saúde para alcançar essa meta, ainda distante da realidade pernambucana, é o investimento de R$ 40, 5 milhões na ampliação da oferta de exames e consultas. O anúncio foi feito ontem, durante café da manhã, no Palácio do Campo das Princesas. Desde 2008, o câncer de mama foi a causa da morte de 558 mulheres no Estado. No mesmo período, a neoplasia do colo do útero motivou a morte de 261 pernambucanas.
“A ideia é garantir o acesso ao diagnóstico e tratamento desses dois tipos de câncer, que são grandes causadores da mortalidade de mulheres, ainda jovens, em Pernambuco. Até junho de 2012, a previsão é que os exames e consultas sejam garantidos a todas as mulheres”, afirmou Eduardo Campos.
Durante a cerimônia, o secretário de Saúde de Pernambuco, Antônio Figueira, assinou documento credenciando serviço de mamografia para atender as pacientes do Sertão Central, única região do Estado que ainda não tem o atendimento. Os exames passarão a ser feitos em Salgueiro.
De acordo com o governo estadual, o SUS realizou, em 2011, 667 mil diagnósticos, entre mamografias e exames preventivos do colo do útero. A meta para 2012 é que a abrangência das mulheres beneficiadas aumente para 700 mil.
Outra medida anunciada na manhã de ontem foi a ampliação da notificação compulsória de violência contra a mulher para toda a rede de saúde. Os profissionais devem informar às Secretarias Municipais de Saúde quando atenderem uma mulher vítima de violência. A partir desses dados, haverá um parâmetro mais certeiro dos índices do crime. Até então, a notificação era feita apenas nas emergências.
Corpos pintados para denunciar violência
Sob os gritos de “Nossos corpos nos pertencem”, o Fórum de Mulheres de Pernambuco (FMP) marcou a data de ontem com um ato na Praça da Independência, no bairro de Santo Antônio, no Centro do Recife. A ação chamou a atenção de quem circulava pela região e contou também com apresentação artística do Grupo de Teatro Loucas de Pedra Lilás. Uma das integrantes, sem camisa e com os seios pintados, puxava o coro com o grito de guerra do movimento.
Com faixas, cartazes e corpos pintados com mensagens, como “meu corpo é meu”, as participantes do evento lembraram o Dia Internacional da Mulher e chamaram atenção para o controle do corpo pelo Estado, a violência e a banalização do estupro.
“Apesar dos avanços, continuamos convivendo com uma conjuntura adversa em relação aos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres”, disse Márcia Ramos, uma das coordenadoras do FMP. “Somos soberanas e temos direitos sobre nossos corpos, mas, às vezes, muitas pessoas pensam que mandam neles, como pai, marido, chefe e médico”, completou Márcia.
Um dos alvos das críticas foi a medida provisória nº557 que propõe a criação de um cadastro obrigatório para controle das gestantes durante os exames de pré-natal. “A intenção deles é evitar a mortalidade materna, mas o problema não é o pré-natal. O que mata as gestantes é o atendimento precário e a falta de médicos nas maternidades do País”, disse Márcia.
Também foram lembrados recentes casos de violência sexual contra mulheres, que tiveram grande repercussão na imprensa, como a suspeita de estupro no reality show Big Brother Brasil e o estupro coletivo de cinco mulheres durante uma festa na cidade de Queimadas, na Paraíba, que terminou com a morte de duas delas.
Fonte: Jornal do Commercio



