Diferenças que vão de Norte a Sul

Os municípios de Gameleira, na Mata Sul, e Vicência, na Mata Norte, também são retrato do sofrimento por que passa a população que precisa de atendimento médico. O primeiro, que fica na área devastada pelas chuvas de 2010, tem o privilégio de ser vizinho de cidades que receberam cinco grandes hospitais. Porém, na cidade mesmo, não há médicos. Em Vicência, na Unidade Mista Naíde Ramos Maranhão, segundo a população, encontrar um nos plantões é uma raridade.

De acordo com a pesquisa do CNM, a diferença entre os dois extremos do Brasil é considerada grande. As pessoas que moram em uma capital do Sul ou Sudeste têm quatro vezes mais médicos que as do interior de um estado do Nordeste, Norte ou Centro-Oeste.

A dona de casa Fabiana Maria da Silva, 23, sabe bem o que isso representa. Penava com o filho Arthur nos braços em frente à unidade mista de Vicência enquanto aguardava o médico do plantão, que estava atrasado mais de três horas. Enquanto isso, uma jovem chegou chorando e com dor, mas não foi atendida. De acordo com o prefeito Paulo Tadeu, após a recente mudança na gestão da saúde, as unidades melhoraram o atendimento. “A dificuldade na área de saúde é um problema generalizado. Precisa de mais investimentos”, apontou.

No Hospital de Pequeno Porte de Gameleira, a estudante Marleide Nascimento, 21, era quem nebulizava sozinha o filho Jonathan, de 17 dias, após a medicação, que havia sido indicada por profissionais de enfermagem. Já a dona de casa Ana Maria dos Santos, 37, não quis deixar as enfermeiras ministrarem remédios para sua filha de 7 anos, que estava com febre. “Nunca tem médico nesse hospital”, desabafou. “Temos médicos de plantão todos os dias da semena aqui no hospital. O que viria hoje não pode vir, mas acionamos outro que deve chegar no início da noite”, afirmou a diretora da unidade hospitalar, Creisse Belo.

Dos 14 municípios que fazem parte da Região Metropolitana do Recife (RMR), nove foram apontados pelo Ministério da Saúde como sendo prioritários para receberem profissionais do programa Mais Médicos. Um deles foi Itapissuma. Distante do Recife 40 quilômetros, o município conta com o Hospital João Ribeiro para atender à população. As reclamações são muitas. A doméstica Josefa Alves da Silva, 43, relatou que o pai dela, de 83 anos, espera desde o mês de fevereiro para marcar uma consulta com o urologista. “Os exames dele já estão prontos, mas não consigo pegar ficha para marcar a consulta com o médico. Além disso, é uma dificuldade para encontrar um médico nesse hospital daqui de Itapissuma”.

Fonte: Diario de Pernambuco

 

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