Brasília – Em 1953, os norte-americanos Francis Crick e James Watson mostraram ao mundo que o DNA tem a forma de uma dupla hélice toda enrolada no núcleo das células. Desde então, a figura das duas fitas que dão voltas uma em torno da outra foi reproduzida infinitas vezes, fazendo parte do imaginário das pessoas. Passados 60 anos da descoberta dos cientistas norte-americanos, um novo estudo — publicado na revista Nature Chemistry e realizado na Universidade de Cambridge — mostra que essa não é a única forma que a molécula pode assumir dentro do corpo humano.
Uma equipe liderada pelo professor Shankar Balasubramanian, do Departamento de Química da instituição britânica, visualizou células humanas com DNAs em forma de hélice quádrupla. Além de o feito ser um “grande avanço”, como os próprios pesquisadores descrevem na pesquisa, o estudo pode ajudar no combate ao câncer, uma vez que essas moléculas são mais comuns em células de crescimento muito acelerado, como as cancerígenas. Estruturas de ácido nucleico de quatro fitas, chamadas de G-quadruplex, atraem há algum tempo o interesse dos cientistas. Em experimentos de laboratório, essa formação já havia sido observada, o que gerou a hipótese de que ela poderia ocorrer em células no interior do corpo.
Comprovar essa teoria foi o principal feito do time de pesquisadores de Cambridge. Eles foram bem-sucedidos ao criar um anticorpo que se liga especificamente a essas estruturas. Depois, eles o inseriram em células humanas in vitro e observaram com poderosos instrumentos se o anticorpo se ligaria a algo, o que acabou se confirmando.
No estudo, os pesquisadores afirmam que o anticorpo criado funciona como uma espécie de armadilha para o DNA quádruplo que permite uma interferência no seu funcionamento. “Os achados fornecem evidências substanciais da formação de estruturas G-quadruplex no genoma de células de mamíferos e corrobora com a aplicação de ligantes em um contexto celular para buscar G-quadruplexes e interferir em suas funções”, escrevem.
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É a possibilidade trazida pelo anticorpo criado para identificar as estruturas que torna promissora a busca por novas abordagens de combater o câncer. Apesar de admitir que muitos estudos ainda precisam ser feitos, Balasubramanian se mostra muito empolgado, afinal, sua equipe já sabe ser capaz de identificar o DNA quádruplo, estabilizá-lo e influenciar em seu funcionamento.
“A estrutura de hélice quádrupla do DNA pode ser a chave para novas formas de inibir seletivamente a proliferação de células cancerígenas. A confirmação de sua existência em células humanas é um verdadeiro marco. A pesquisa indica que os G-quadruplexes são mais propensos de ocorrer em genes de células que estão se dividindo rapidamente, como as células de câncer”, destaca Balasubramanian.
Fonte: Diario de Pernambuco



