Doença de Parkinson pode ter origem no intestino; saiba mais sobre a doença

Os tremores e a rigidez muscular são sintomas que mais caracterizam (pelo menos, para a população em geral) a doença de Parkinson, que atinge cerca de 200 mil pessoas no País, segundo a Academia Brasileira de Neurologia (ABN). Nem todo mundo sabe, contudo, que esses sinais não revelam um quadro inicial da enfermidade. Normalmente, quando eles aparecem, o problema tem se originado anos antes, mas sem relação com o cérebro, e sim com o intestino.

“A questão é que uma proteína chamada sinucleína começa a ser produzida no intestino para depois se acumular nos neurônios e levar aos sintomas. Então, a doença se iniciaria por mudanças na flora intestinal. Isso explicaria por que pacientes apresentam constipação intestinal, às vezes antes de sintomas motores se manifestarem”, diz o neurologista Carlos Frederico Lima, coordenador do Ambulatório de Distúrbios do Movimento do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc).

Para o médico, essa visão sobre a origem da doença, que tem o dia mundial de conscientização lembrado no dia 11, traz esperança para os pacientes, já que pesquisas caminham para identificar medicamentos capazes de desligar a ação da sinucleína. “Há estudo experimental que analisa como um anticorpo antissinucleína pode inativar a função da proteína e, dessa maneira, estacionar a progressão da doença”, ressalta Carlos Frederico.

O neurologista também chama a atenção para pistas prematuras de Parkinson, capazes de levar a uma suspeita da fase pré-motora da enfermidade. Ou seja, antes de os sintomas clássicos (tremores e rigidez musculares) aparecerem, o paciente pode apresentar sinais precoces, não necessariamente associados a Parkinson. “Perda de olfato, constipação intestinal, distúrbios do sono e depressão são sinais que geralmente abrem o quadro da doença”, esclarece. A partir dessa constatação, nasce a possibilidade de se fazer um diagnóstico cada vez mais precoce.

Atualmente as pessoas que vivem com Parkinson contam com tratamentos medicamentosos que atuam no controle dos sintomas, e não na evolução da doença. Entre eles, está o Prolopa (nome fantasia para o princípio ativo levodopa + cloridrato de benserazida), que está em falta na Farmácia de Pernambuco. “É o padrão ouro disponível para o tratamento”, diz Carlos Frederico sobre a importância desse remédio para os pacientes. Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) diz que está em processo para aquisição da medicação.

O administrador de empresas aposentado Gilberto Santos, 56 anos, faz uso da medicação, mas hoje em dose menor do que tomava há 14 anos, quando foi diagnosticado com a doença. “Para controlar o tremor, que estava em grau avançado, ele passou pela cirurgia há três anos. Digo que houve 95% de melhora dos sintomas”, relata a comerciante aposentada Maria José Melo, presidente da Associação de Parkinson de Pernambuco, com a certeza de que o tratamento faz a diferença na qualidade de vida dos pacientes.

Fonte: Casa Saudável (JC)

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