SALVADOR (Folhapress) – O motorista Benedito Cardoso, 7, voltou a caminhar pelas ruas de Valença, litoral sul da Bahia. Com esforço, vai de asa até a padaria. Uma vitória para quem entre abril e aio passou 20 dias internado em andar nem falar, com o corpo paralisado. Foi um dos 0 casos confirmados da síndrome Guillain-Barré na Bahia m 2015 – doença rara, com édia de um caso a cada 100 mil habitantes, mas cujas noificações espalharam-se pelo Nordeste. Além das notificações confirmadas na Bahia, oram constatados 14 casos o Maranhão e seis na Paraíba. avanço da doença tem sido associado a casos de dengue, chikungunya e de uma doença exantemática (com lesões a pele) que em alguns casos foi identificada como zika vírus. Dos 50 pacientes que tiveram a doença confirmada na Bahia, 48 tinham histórico recente de suspeita de zika vírus. “Pelo que temos acompanhado, as pessoas que tiveram a síndrome tiveram doenças virais num curto espaço de tempo”, explica o médico infectologista Roberto Badaró, subsecretário de Saúde da Bahia. Só na Bahia, foram registrados 45 mil casos suspeitos de dengue, 32 mil de zika vírus e 8.000 de chikungunya. Segundo Badaró, o quadro é de “tríplice epidemia”. Contudo, segundo o Ministério da Saúde, ainda não há nenhuma comprovação científica da relação entre a síndrome Guillain-Barré e as três doenças que têm como vetor o mosquito Aedes aegypti. Doença imunológica desencadeada por infecções causadas por bactérias ou vírus, a síndrome Guillain-Barré tem impacto no sistema neurológico causando fraqueza e dormência, sobretudo nas pernas. Em casos graves pode paralisar a musculatura respiratória. Caso não seja dado esse suporte, o paciente pode morrer asfixiado. O baiano Benedito Cardoso começou a sentir dormência nos pés quando voltava de uma viagem a Salvador. “Senti meus pés como se estivessem molhados e cada passo que eu dava era como um pequeno choque.” Dias depois foi a um posto de saúde e a doença acabou sendo diagnosticada como AVC. Na capital baiana, veio a confirmação da síndrome Guillain-Barré.
Tratamento difícil é o grande desafio
Diretora do Hospital Estadual Couto Maia, eferência em infectologia a Bahia, a médica Ceuci Nunes diz que o enfrentamento à doença em sido um desafio. Na literatura médica, só há um relato de aumento de casos da Síndrome Guillainarré durante uma epidemia e zika vírus, que aconteceu na Polinésia Francesa. Segundo a médica, contudo, não há motivo para pânico: “Apesar de ser uma doença com potencial de gravidade, atinge um percentual ainda pequeno na população”, afirmou. Ela também informa que os pacientes têm reagido bem ao tratamento, à base de um medicamento venoso chamado imunoglobulina. Mas ainda não há um quadro claro sobre possíveis sequelas ou reincidência nos pacientes, já que os casos são recentes. Em casos mais agudos da doença, os pacientes chegam a ficar anos sem andar. No Brasil, a doença ficou conhecida após ter acometido a cientista política e comentarista Lucia Hippolito em 2012, após uma viagem à França. Em entrevista ao Programa do Jô em setembro do ano passado, Lucia, que ainda tem dificuldades de locomoção, contou que ficou internada por um ano e meio e classificou a síndrome como “doença infernal”.
Fonte: Folha de Pernambuco



