Cerca de 2.100 pacientes do ambulatório do Hospital das Clínicas (HC) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) estão aguardando exame de ressonância magnética desde 2013. A quota mensal, realizada em outros serviços do SUS, não chega a 10% desse saldo e inclui hospitalizados. A denúncia é de médicos residentes, que estão na terceira semana de greve e prometem deixar de comparecer às atividades de plantão amanhã. Ontem, eles procuraram o Ministério Público Federal, com apoio do Sindicato dos Médicos, para solicitar um termo de ajustamento de conduta da direção do HC, definindo prazos para a melhoria dos serviços.
“Num hospital de alta complexidade como o das Clínicas, os exames de imagem, para definir diagnóstico e tratamento, são fundamentais. A restrição prolonga a permanência e o sofrimento dos doentes, adiando a resolução do seu problema. São pessoas com doença osteomusculares, suspeitas de câncer e outras enfermidades. Residentes de radiologia estão cumprindo atividade em outros serviços do SUS, como os Hospitais Getúlio Vargas e Miguel Arraes para não comprometer a aprendizagem”, contou o médico Walter de Oliveira, no terceiro ano do curso de especialização.
O Hospital das Clínicas também tem problemas para atender a demanda interna por tomografia. Das 1.200 que precisa por mês para pessoas internadas e em acompanhamento ambulatorial, só tem conseguido 30 liberadas pela Secretaria Estadual de Saúde. O tomógrafo do HC é antigo e não tem funcionado com regularidade. A ressonância precisa ser instalada.
De acordo com os médicos em especialização, o hospital administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) não tem os recursos federais suficientes para compra de equipamentos. A verba disponível seria dez vezes menor que a necessária atualmente. “Apoiamos a administração da Ebserh na expectativa de que houvesse melhorias, mas não é o que temos visto”, comentou um deles.
Lucas Caheté, residente que foi recebido na tarde de ontem pela procuradora da república Monalisa Duarte Ismail, avalia como lentas as mudanças no HC depois da gestão da Ebserh, há quase dois anos.
Depende agora da intermediação do Conselho Regional de Medicina e do Ministério Público Federal a construção de um acordo entre a direção do Hospital das Clínicas e os médicos residentes. O Cremepe deve ouvir hoje dirigentes do hospital. No MPF uma denúncia já havia sido registrada em abril deste ano, sobre a falta de medicamentos e insumos no HC. Ao todo são 230 médicos residentes cursando especialização no hospital.
Fonte: Jornal do Commercio



