Cientistas da Universidade do Sul da Califórnia (USC), nos Estados Unidos, em estudo publicado ontem na revista “Cell Stem Cell”, afirmam que duas proteínas do zika estão envolvidas nas mutações verificadas em bebês acometidos pela Síndrome Congênita do Zika (SCZ). O patógeno é formado por dez proteínas, mas são as NS4A e NS4B que estariam envolvidas em uma desregulação que resultam nas malformações durante a gestação, segundo os pesquisadores. O grupo da USC destaca que o trabalho é o primeiro a analisar o vírus em nível molecular depois de se infectar células-tronco de fetos humanos. Os pesquisadores primeiro infectaram essas células-tronco em seu segundo trimestre de desenvolvimento com três diferentes linhagens do zika. Em seguida, analisaram as reações de acordo coma presença de cada uma das 10 proteínas codificadas pelo vírus da zika. Nesta avaliação, eles descobriram que as proteínas NS4A e NS4B eram capazes de desorientar o mecanismo de sinalização das células do cérebro do feto, tornando-as deficientes, e mobilizar as forças dessas células para acelerar a proliferação do vírus. As proteínas NS4A e NS4B minam o desenvolvimento do cérebro e estimulam a autofagia para que o vírus possa se alastrar. Os achados apontam que o zika freia o crescimento das células-tronco em 65%. Já a diferenciação de células-tronco neurais em neurônios maduros e outras células cerebrais é reduzida em 51% depois da infecção pelo vírus. “Como agora nós conhecemos a rota molecular, demos um grande passo para descobrir quais são as melhores terapias contra a microcefalia induzida pelo zika. Dentro de alguns anos, essas terapias poderão ter como alvo as proteínas NS4A e NS4B”, disse um dos autores do estudo, Jae Jung, da Escola de Medicina da USC. Agora, os cientistas estão trabalhando em experimentos para verificar a ação das proteínas em questão em organoides cerebrais e em camundongo
Fonte: Folha de Pernambuco



