Educação especial para autistas

Comunicar é o ato de transmitir mensagens, de informar, de partilhar. Mas também é o maior problema na vida de uma pessoa diagnosticada com o Transtorno do Espectro Autista, que costuma ser estereotipada pelo seu comportamento restritivo, repetitivo e, a depender do grau do autismo, agressivo.

Na maioria dos casos, os sinais se tornam evidentes antes de a crian­­­­ça completar três anos. Por isso, a Secretaria de Educação do Recife, em parceria com o Centro de Reabilitação e Valorização da Criança (Cervac) e com a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), lança nesta sexta-feira (1º), às 8h, na sede da Apae, no bairro de Monteiro, Zona Norte da Capital, o Projeto Mutirão da Saúde, que oferece uma educação diferenciada a crianças de até 5 anos apresentando indícios da deficiência.

Com o intuito de desenvolver comportamentos que favorecem a autosuficiência e a adaptação da criança autista na sociedade, o projeto vai possibilitar um atendimento apropriado às necessidades infantis, a partir de uma avaliação global.

De acordo com dados levantados no último Censo Escolar, 75 alunos, de 0 a 5 anos, das creches e CMEIs da Rede Municipal de Ensino apresentaram suspeita de autismo. Segundo a gerente-geral de Política e Formação Pedagógica Daniele Loreto, a triagem será feita com uma equipe multidisciplinar e os casos confirmados serão encaminhados para tratamentos específicos. “Independente do resultado, todos esses estudantes receberão o Atendimento Educacional Especializado (AEE), que trabalha as especificidades e estimula as necessidades de cada um”, declarou.

Quase todas as escolas municipais possuem o AEE, uma delas é a Divino Espírito Santo, na Caxangá, Zona Oeste do Recife, que tem quatro alunos autistas e uma sala de recursos multifuncionais, espaço disponibilizado pelo MEC, que conta com equipamentos pedagógicos específicos para o desenvolvimento desses alunos. O atendimento é feito de forma individualizada, duas vezes por semana, em sessões de 50 minutos.

Para a professora de Educação Especial Jocéia de Oliveira, o trabalho com material concreto é essencial, pois o toque e o visual atraem a atenção das crianças autistas. “Fugimos do quadro e giz. Trabalhamos com muita coisa lúdica, com mesa educativa, jogos e tecnologia para que os meninos se sintam motivados”, contou.

Dentre os alunos autistas estão Luana Queiroz, de 9 anos, e Raudiney Ramos, de 17 anos. Luana, aluna do 4º ano, já escreve palavras simples e copia ditado, mas ainda se perde na compreensão textual. Ela se mostrou muito carinhosa ao beijar, abraçar e dizer “te amo” para a sua professora de classe. Já Raudiney fala poucas palavras.

Fonte: Folha de Pernambuco

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