Emergência nova e velhos problemas

Recém-inaugurada no Hospital da Restauração, no Derby, emergência clínica enfrenta superlotação e médicos insatisfeitos com as condições de trabalho

Recentemente inaugurada, a emergência clínica do Hospital da Restauração já começa a apresentar problemas de lotação e médicos insatisfeitos com as condições de trabalho. A sala vermelha da unidade de tratamento intensivo (UTI), onde ficam os doentes neurológicos mais graves, passou o dia ontem com 20 pessoas internadas, em espaço criado para receber 10 pacientes. A Associação de Defesa dos Usuários de Seguros, Planos e Sistemas de Saúde (Aduseps) levantou que 33 pessoas estavam na fila para uma vaga de UTI no HR, ontem. Em Pernambuco, o total era de 57 pacientes.

Por causa da situação de ontem, o corpo médico do HR ameaçou suspender as atividades. No final da manhã, reuniu-se com o Conselho Gestor do HR e conseguiu a promessa de contratação de mais oito neurologistas pela Secretaria Estadual de Saúde. A convocação será imediata, mas como há prazos para os profissionais se apresentarem ao trabalho, a expectativa é que os novos médicos assumam os postos em 30 dias.

“Temos trabalhado com quantitativo acima da capacidade da sala vermelha. Isso porque o HR é a única referência neurológica do Estado. E como a sala vermelha recebe justamente os pacientes com AVC (acidente vascular cerebral), trabalhamos com casos de alta complexidade”, explica o diretor médico da Restauração, Hélder Correia.

Ainda de acordo com o médico, a oferta de mão de obra de neurologistas é reduzida em Pernambuco, o que dificulta o preenchimento dos quadros de profissionais. “Fica sempre difícil abrir outros centros de referência que pudessem desafogar o HR”, acrescenta. Segundo Helder Correia, a sala vermelha tem capacidade física para receber 20 pacientes. O impedimento é a quantidade de profissionais na UTI, que foi projetada para 10 pessoas internadas. A contratação de novos médicos deve amenizar a situação.

O problema da falta de leitos de UTI para pacientes da rede pública de saúde em Pernambuco é diário, de acordo com a Aduseps. O ouvidor da associação Carlos Freitas contabiliza as pessoas que morrem, todos os dias, esperando uma vaga para as unidades intensivas no Estado. “Todos os dias, temos registrado entre cinco e oito mortes. Ontem (segunda-feira), no HR, quatro pessoas morreram precisando ser removidas para a UTI”, denuncia. As outras mortes aconteceram no Hospital Metropolitano Dom Helder Camara (1), no Cabo de Santo Agostinho (Região Metropolitana do Recife), Hospital Getúlio Vargas (1), e Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Caxangá (1), ambos no Recife.

Os números são repassados pela Central de Regulação de Leitos de Pernambuco desde que a Aduseps recebeu, na justiça, o direito de ter acesso às informações da fila de espera de UTIs. “Ultimamente, a lista tem sido de acima de 45 pacientes aguardando vaga, por dia. Já chegou a 60. Mas é uma lista que varia muito, porque há pacientes aguardando há muito tempo”, explica o ouvidor.

O caso mais grave, de acordo com Carlos Freitas, é o de uma criança, na fila há 50 dias, na enfermaria neonatal do Hospital Barão de Lucena, no Recife.

Fonte: Jornal do Commercio

Compartilhe:

Deixe um comentário

Fique por dentro

Notícias relacionadas