O vírus da chikungunya pode se instalar no cérebro de neonatos e provocar inflamações graves, conhecidas como encefalites. Essa foi a conclusão de uma investigação realizada por cinco pesquisadores baianos, entre eles dois dos pioneiros da descoberta do zika no Brasil, o professor e pesquisador da UFBA Gubio Soares e o infectologista Antônio Carlos Bandeira. Os cientistas avaliaram o caso de um bebê, nascido em novembro de 2015, em Salvador, que aos quatro dias de vida apresentou encefalite por chikungunya. Além desse relato, os profissionais se preparam para publicar o segundo caso de neonato com o mesmo acometimento do sistema nervoso. “A mãe (de 35 anos) quatro dias antes da cesariana começou a apresentar um quadro compatível com doença exantemática, mas não se sabia se era dengue, zika ou chikungunya. Testamos a criança para as três doenças”, esclareceu Antônio Carlos Bandeira. Os sintomas no recém-nascido apareceram quatro dias depois do nascimento. O menino teve manchas na pele, hipoatividade e febre, progredindo para convulsões generalizadas. Uma ressonância craniana mostrou lesões sugestivas de encefalite e os testes de biologia molecular encontraram o vírus no líquido cefalorraquidiano (líquido da coluna ou LCR), sangue, urina e saliva. Bandeira comentou que o caso foi de aquisição perinatal, fase que envolve o nascimento. Já há outros relatos na literatura sobre encefalite neonatal por chikungunya na Polinésia Francesa. Apesar do grave acometimento no cérebro, o menino se salvou. Os relatos da Bahia chegam uma semana depois do Recife atestar a primeira morte fetal e os primeiros óbitos neonatais por chikungunya na Cidade. Servem para reforçar os riscos do vírus. Em uma semana houve mais uma morte confirmada por chikungunya entre menores de 1 ano de idade no Estado. Segundo a Secretária Estadual de Saúde (SES), até a semana passada eram 11 mortes suspeitas por arboviroses nesta faixa de idade, com uma confirmação de dengue e duas de chikungunya. Agora, já são uma de dengue e três de chikungunya. Ao todo, o Estado já soma 287 mortes suspeitas por arboviroses.
Fonte: Folha de Pernambuco



