Encontro expõe falhas e desagrado

SAÚDE Reunião extraordinária do Conselho Municipal mostrou descontentamento com início da gestão de Geraldo Julio. Faltam médicos, enfermeiros, remédios e materiais

Os cinco primeiros meses de gestão do prefeito Geraldo Julio (PSB) na saúde do Recife têm desagradado a inúmeros segmentos do SUS. Ontem, em reunião do Conselho Municipal de Saúde, o secretário Jailson Correia ouviu críticas de diferentes grupos de trabalhadores e usuários da rede, que enfrenta déficit de médicos, de pessoal de enfermagem, de agentes comunitários de saúde, equipes especializadas, materiais, remédios, de exames e até de gerentes. Cobraram agilidade e prioridade que a área requer, principalmente na atenção básica.

Em assembleia na noite anterior, médicos plantonistas da Policlínica Amaury Coutinho, da Campina do Barreto, Zona Norte do Recife, decidiram que vão pedir transferência em massa para outros serviços. “Estão cansados de dobrar plantão ou trabalhar sozinhos porque a escala está incompleta”, justificou o presidente do Sindicato dos Médicos, Mário Jorge Lobo, que cobrou o ingresso mais rápido de concursados. “Queremos menos mídia e mais ação da prefeitura”, afirmou, queixando-se de nomeações lentas de aprovados no concurso de 2012 “feitas a conta gotas, de acordo com a agenda de aparições do prefeito”, afirmou. Um médico concursado do PSF afirmou que por falta de profissionais visitas domiciliares, consultas de rotina e até atenção a crianças estão comprometidas, “o que pode estar facilitando a volta do sarampo”, alertou.

Durante a reunião do Conselho Municipal de Saúde, houve protestos do movimento Ocupa SUS, que luta contra as privatizações, de trabalhadores da saúde mental, que denunciam o esvaziamento dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), e de diferentes comunidades. Uma delas, a do Vietnã, em San Martin, Zona Oeste, está há dois anos sem Programa Saúde da Família (PSF). “O posto foi fechado e quando a gente precisa, tem que ir à UPA, que não resolve”, reclamou Antônia Leotéria da Silva. Representantes da comunidade lotaram um ônibus para ir á reunião. Cláudia Martins, representante dos usuários no Conselho, reclamou de desmandos no Ibura, Zona Sul: “Há dois meses o governo prometeu reabrir o posto do Rio da Prata e até agora nada”, afirmou. Ademir Luiz Silva, do Sindicato dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem, disse que há pelo menos 40 unidades de saúde sem profissionais dessa área. “UPA cuida de doença. PSF promove saúde. O senhor vai enxugar gelo se não priorizar a atenção básica”, disparou outra integrante do conselho, referindo-se à prioridade dada às Upinhas, unidades menores de pronto-atendimento que serão construídas. Na plateia estavam concursados de diferentes campos, como a jovem Maria Aparecida Farias, segundo lugar na lista de agentes comunitários de saúde para o Cabanga, ainda não nomeada.

Tiago Henrique Silva, representante dos médicos no Conselho e um dos coordenadores do Ocupa SUS, pediu investigação sobre denúncias feitas por usuários que estariam pagando R$ 5 por exames laboratoriais em redes credenciadas pela prefeitura porque o Laboratório Municipal está sem kits.

O secretário Jailson Correia reconheceu que havia problemas na rede, herdados da outra gestão, e pediu que todos os segmentos se unissem para um projeto único de recuperação dos serviços. “Até o fim do ano vamos reabrir todas as unidades fechadas”, prometeu. Lembrou que em cinco meses já nomeou 231 concursados e que até a próxima semana todos os Caps terão gerência. Quanto a medicamentos, alegou problemas com a distribuição e disse que as empresas em falta serão multadas.

Fonte: Jornal do Commercio

 

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