Estudar Medicina é o sonho de muita gente. O curso é um dos mais concorridos nas universidades federais e estaduais brasileiras. Algumas pessoas veem como uma boa alternativa para realizarem seu sonho, estudar fora do Brasil. Na semana passada, a Secretaria Estadual de Saúde em parceria com a Secretaria de Ciência e Tecnologia, através da UPE, anunciou uma medida que vai incentivar o retorno desses profissionais depois de formados ou a entrada de estrangeiros no mercado de trabalho médico do Estado, para trabalharem no Programa de Saúde da Família (PSF).
O Provalida teve suas inscrições iniciadas, mas causou grande discordância por parte de entidades ligadas à profissão, como o Sindicato de Médicos de Pernambuco (Simepe), o Conselho Regional de Medicina (Cremepe) e a Associação Municipalista de Pernambuco (AMPE).
Vários são os argumentos dos órgãos contrários ao Provalida, os quais entraram com uma Ação Civil Pública na Justiça Federal em Pernambuco, questionando o edital do programa. De acordo com o presidente do Simepe, Mário Jorge Lôbo, já existe no Brasil um criterioso sistema de validação chamado Revalida. “O Provalida parece, para mim, uma troca de favores. É uma medida paliativa, que ao invés de trazer uma melhoria nas condições de trabalho das cidades do Interior, traz apenas novos profissionais. O que provavelmente acontecerá é que as pessoas irão trabalhar os dois anos exigidos e depois irão sair, surgindo novamente a necessidade de contratação e a falta de profissionais. É bastante assustador ver que o Estado está proporcionando isso”, relata.
O presidente do Simepe ainda afirma que a medida é discriminatória com os médicos formados em Pernambuco. “É como se tivessem vagas reservadas para os que estudam fora, o que é injusto. Além disso, a medida é antidemocrática, pois a população não foi consultada em relação a isso”, declarou. As divergências entre as universidades brasileiras e as internacionais também foram mencionadas pelo presidente. “Na Bolívia, por exemplo, a carga horária não chega nem à metade do tempo daqui. Algumas, privadas, basta o estudante pagar que entra. Entendemos que eles também formam profissionais competentes, não estamos afirmamos o contrário, mas não temos controle sobre essa formação”, acrescenta Mário Jorge Lôbo.
Segundo o secretário de Ciência e Tecnologia de Pernambuco, Marcelino Granja, no Brasil, as universidades têm liberdade de criarem os seus próprios processos de validação de diploma estrangeiro. Além disso, o secretário alertou que o Provalida atenderá às mesmas exigências do sistema nacional (o Revalida). “O Provalida não é uma iniciativa da UPE, mas sim, do Governo do Estado. Com ele, estamos apenas buscando uma melhor distribuição dos profissionais de Medicina no Estado. Temos falta de médicos e isso é um fato. Não é porque não são realizados concursos públicos, como o Simepe está dizendo, mas sim, porque os médicos não querem trabalhar nos PSFs. Os médicos não são direcionados para isso nas universidades”, informou.
Ainda conforme o gestor, o Provalida apenas se alia aos outros programas de incentivo para levar os médicos para o Interior. “A principal diferença entre o Provalida e o Revalida é que o primeiro vai direcionar essas pessoas que cursaram fora do País para os PSFs, mas em relação ao processo não haverá diferenças”, acrescentou o secretário. Marcelino Granja ainda reforçou que os médicos dos PSFs são, em sua grande maioria, clínicos gerais, mas os de qualquer área são bem-vindos. “30% dos PSFs em Pernambuco estão sem médicos e são nos lugares mais pobres. Esse programa, no mínimo, servirá para aumentar a quantidade de médicos, mas ainda depende dos municípios aceitarem esses profissionais”, finaliza o secretário.
Fonte: Folha PE



