Entidades repudiam a importação de médicos no País

Representantes de entidades médicas do Estado realizaram, na manhã de ontem, um ato de repúdio contra a importação de médicos estrangeiros sem a devida revalidação de seus diplomas. A iniciativa, proposta pelo Governo Federal, prevê a contratação de seis mil profissionais de Cuba e de países europeus para dar expediente nas áreas mais afastadas das capitais dos estados. A manifestação aconteceu no Memorial de Medicina, localizado no bairro do Derby, área central do Recife.

Na ocasião, testes de pressão arterial e de glicose foram oferecidos à população. Ao mesmo tempo, uma carta aberta foi distribuída aos transeuntes. O documento continha os pontos de discordância em relação ao projeto, que, segundo as entidades que representam a categoria, pode passar pela avaliação do Poder Legislativo já no próximo mês. O principal temor dos médicos brasileiros é de que a qualidade do serviço seja ainda mais comprometida nas cidades do Interior, locais em que o atendimento costuma ser deficiente por conta da falta de servidores, de estrutura e de equipamentos.

Conforme a proposta do Governo, os médicos estrangeiros não teriam que ser submetidos ao Revalida, um programa que avalia itens como a formação e a experiência do contratado. “Há profissionais em Cuba que têm o mesmo nível de formação que um médico nosso que está no quarto período da faculdade. E, no ano passado, menos de 10% das pessoas que se submeteram ao Revalida foram aprovadas. Tudo isso reforça a necessidade de fazer essa triagem para identificar pessoas despreparadas”, enfatizou o vice-presidente do Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), Fernando Cabral.

O representante ainda garantiu que, se respeitado o processo de revalidação, a categoria não é contra a contratação desses profissionais. Mesmo assim, o presidente do Simepe apontou outras alternativas. “Há muitos médicos do Interior sem direitos trabalhistas e sem equipamentos. E falta concurso público para suprir o quadro de pessoal. Mudando tudo isso, vai ser possível fazer uma medicina decente nesses lugares. O que não se pode é fazer seis mil médicos de fora irem para a rede pública sem nem ter certeza se eles ao menos sabem falar português”, completou Cabral.

Fonte: Folha de Pernambuco

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