Escassez de profissionais é sentida na rede particular

Nos últimos meses voltou a ficar em evidência o problema da falta de médicos no Brasil. Muito se fala de deficit de profissionais no Sistema Único de Saúde (SUS), mas a escassez de doutores atinge, também, quem paga para ter acesso à saúde. Nos hospitais particulares, o momento também é de alerta com escalas incompletas, falta de especialistas e a tendência de uma medicina de mercado onde recebe melhor atendimento quem paga à vista.

Na entrada da saúde privada estão os usuários de planos que endossam a reclamação do mau serviço prestado, e que muitas vezes acabam voltando para o SUS, já que o atendimento em ambos os setores acaba sendo semelhante. “Você não quer encontrar dificuldade, não quer filas e quer bons profissionais”, enumerou o residente regional da Associação Brasileira de Medicina de Grupo (Abramge), Flávio Wanderley.

Era isso mesmo que a esA mesma escassez de médicosna rede de saúde pública é recorrente nas unidades que atendem aos usuários de planos de saúde. Quando o assunto são as emergências de grandes hospitais, as queixas se repetem. Há pessoas que, até, já suspenderam os planos particulares. Folharesume Nathália Bormann Renata Coutinho/Cortesia Nathália Bormann tudante de Letras, Nívia Gouveia, 32 anos, pensou em garantir ao contratar um plano de saúde em 2009, saindo do SUS. Diagnosticada com 19 tumores no útero, seu plano negou que fosse realizada uma cirurgia para a operação e sugeriu que a estudante retirasse os tumores de três em três. “Iriam me abrir sete vezes”, comentou. Ela teve que recorrer à Justiça para garantir a operação, realizada em 2011.

De lá para cá, suspendeu o plano e voltou ao sistema público. “Hoje não tenho mais plano. Prefiro ter que recorrer ao SUS numa necessidade do que pagar caro e não ter um atendimento digno e humano”, disse. Ela contou que procura o sistema privado apenas duas vezes ao ano, quando gasta em média R$ 540 com consultas de ginecologia e angiologia.

Quando o assunto são as emergências de grandes hospitais as queixas se multiplicam. Na última quinta-feira, Marcela Fontes, 23, mesmo grávida de sete meses, esperou cerca de 1h30 para ser atendida em um dos maiores hospitais privados do Recife. “Não achei que ira ser assim, pensei que fosse mais rápido”, lamentou. Em Olinda, outra grande unidade abrigava, na tarde de quinta-feira, dezenas de pessoas a procura de atendimento emergencial. Na sala lotada, uma mulher disse que estava há cinco horas na recepção.

Quem não aguentou a demora saiu em busca de outro hospital. Esse foi o caso de Marcela Viviane, 26. “Cheguei às 15h e até agora (17h10) só tinham chamado uma pessoa”, reclamou. Já Karen Letícia, 25, relatou que, além da demora na rede privada, o que se vê é um mau atendimento. “Estava com uma dor no pescoço na última terça-feira e vim na emergência. O médico me colocou direto no soro, não fez um exame, um raio-X. Domingo eu voltei e colocaram o colar porque o meu problema era coluna”, relatou.

Fonte: Folha de Pernambuco

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