“Alegria e felicidade é um bom antídoto para a cura e tratamento de qualquer doença.” A afirmação é de quem convive há anos com o dia a ia de pacientes com câncer: aria da Paz Azevedo Silva, e 58 anos. Coordenadora do voluntariado do Hospital de câncer de Pernambuco (HCP), la idealizou uma ação natalina diferente este ano, com o padrinhamento de cartinhas Com pedidos dos doentes que azem tratamento na unidade. Crianças, jovens, adultos e idosos foram convocados a dizer o Papai Noel o que as fariam ais felizes neste mês de celebrações. “A maioria pedia a ura, mas eu disse que isso papai do céu já estava providenciando. Depois começaram os pedidos diversos. De colchão casca de ovo, bíblia, sandálias e aparelhos eletrônios. O mais importante é que esse presente traga a satisfação para quem dá e quem recebe”, Disse Maria da Paz. Desde que escreveu para o bom velhinho” o seu pedido e Natal, o pequeno Felipe Jonas, de 14 anos, está ansioso. Pergunta às voluntarias e enfermeiras se não chegou o embrulho dele. A expectativa é por m videogame que deixará sua passagem pelo hospital mais leve. “Jogar faz com que tempo corra. Passa o tempo é divertido”, confidenciou sorridente. Os prediletos são os ames de futebol, esporte que verdadeira paixão do menino, as que se tornou inviável om a doença. Felipe Jonas teve um câncer ósseo descoberto depois que o joelho inchou e passou a doer muito depois de uma pelada em um campinho de várzea aos 12 nos. O tratamento com cirurgia e medicações penalizaram s pernas e o menino teve que trazer a habilidade dos pés ara as mãos, virando craque as partidas em videogame. omo a situação financeira da família está difícil, Felipe só dispõe dos jogos eletrônicos quando está na casa de algum coleguinha ou parente que tem o equipamento. Assim como ele, outros meninos do HCP também gostariam de ganhar de uma parelho de game de presente. Maria da Paz explicou que os eletrônicos como tablets, computadores e smartphones estão no topo dos pedidos da maioria dos adolescentes. Além do modismo, a razão é a utilidade prática. No ambiente hospitalar o uso de alguns brinquedos não é possível. As atividades físicas e exposição ao sol são por vezes contraindicadas para quem está em tratamento do câncer, por isso o meio digital representa uma diversão segura, cômoda e estimulante. Raquelly, de 5 anos, aguarda que Papai Noel traga um tablet para que possa cuidar de um bicho virtual, que assim como ela também precisa de tratamento. “Quando ele fica doente dou o remédio. É diferente do meu, mas ele fica bom também.” Entre os pedidos mais apaixonados está o de Marcos Rodrigo de Souza, 16. Sem pensar duas vezes ele diz o que lhe faria mais feliz nesse Natal: uma guitarra. O adolescente traz no coração e carrega no pescoço a imagem do instrumento que o fascina. “Tenho uma banda de black music gospel e tocamos na Igreja Batista de Cavaleiro, mas a guitarra é emprestada”, contou durante uma das sessões de quimioterapia. A ligação com a música começou cedo. Quando ainda criança conheceu o violão e teve as primeiras aulas. Dai para os acordes mais swingados da black music foi um pulo, mas sem perder a temática religiosa que cerca a fé do adolescente. A fama de bom músico ganhou o hospital. INTERNAÇÃO Quando um celular representa o elo entre você e o mundo fora do hospital. É assim a vida de Gilvanete Augusto de Albuquerque, 54 anos. Com uma internação que dura dois anos, o telefone se tornou item indispensável para saber do marido, dos filhos e dos netos a qualquer hora. A família, principalmente o companheiro José Paixão, 62, se esforça para visitá-la, mas o corre-corre do dia a dia muitas vezes faz com que os encontros pessoalmente fiquem mais espaçados. “Tem hora que só o telefone para matar a saudade”, contou. Como o aparelho que tem está velho e, muitas vezes, fica sem funcionar, a paciente pediu um de presente. O clima de Natal, época de esperança e sonhos, vem transformando a vida de todos no HCP, independente da idade. A crença na chegada do “bom velhinho” está dando ânimo novo as amigas Graziela Maciel, 10 anos, e Sarah Evely, 6. As meninas têm câncer ósseo e tornaram-se inseparáveis desde o início do tratamento. De rosa da cabeça aos pés, elas não se contêm de alegria com a expectativa do Natal. Quando Papai Noel chega? “Não sabemos”, responderam em coro e com olhos vibrantes. Que tal fazer alguém feliz hoje? Como disse Maria da Paz: “Alegria e felicidade é um bom antídoto para a cura e tratamento de qualquer doença”.
Fonte: Folha de Pernambuco



