O fornecimento de leite artificial para as mães portadoras de DSTs que não podem amamentar seus filhos foi suspenso, há um mês, no Estado. O repasse, garantido para quem está inscrito no programa de DST/Aids, do Ministério da Saúde, é um direito assistido até os seis primeiros meses de idade das crianças (dez latas por mês). A distribuição é feita por vários hospitais de referência em Pernambuco, como o Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip) e o Centro Integrado e Saúde Amaury de Medeiros (Cisam). A Folha visitou essas duas unidades e verificou que o abastecimento das latas de leite realmente não está sendo feito pela Secretaria Estadual de Saúde (SES).
O Imip recebe cerca de mil latas de leite por mês. Uma funcionária da unidade, que não quis se identificar, informou que o estoque que tinha acabou no dia 20 de janeiro. Desde então, novas mães tentaram realizar o cadastro, que atualmente conta com 82 inscritas, mas devido à falta do alimento, não foi possível. Já o Cisam está tentando suprir essa defasagem utilizando seu próprio estoque, que é destinado aos bebês das mães internadas na unidade.
“Houve o desabastecimento do alimento. Estamos, agora, sem estoque desse leite oriundo da Secretaria Estadual de Saúde (SES). No entanto, nossos recém-nascidos não estão sem receber o leite, uma vez que estamos utilizando um estoque que temos para dar suporte a esses bebês internados que, por alguma indicação médica, não podem ser amamentados pelo leite materno de suas genitoras”, afirmou a diretora médica do Cisam, Luiza Menezes.
De acordo com a farmacêutica Rejane Portela Mota, devido ao não fornecimento do leite pela SES, a distribuição está sendo fracionada. Ainda segundo ela, a última parte do estoque, que chegou no início de janeiro, foi inferior a normal. “Pedimos uma média de 300 latas e em janeiro chegaram apenas 120. Então, percebi que precisávamos diminuir a quantidade de dez latas por mãe ou rapidamente ficaríamos sem. Damos duas ou três para as mães que vieram em janeiro e fevereiro. Dependendo de onde a mãe mora, damos algumas a mais. Fazemos isso para não faltar, porque ainda não recebemos neste mês”, afirmou. Com o esquema, eles conseguiram atender cerca de 30 mulheres em janeiro e ainda possuem umas latas.
A Secretaria Estadual de Saúde (SES) informou, por meio de nota, que em média são dispensadas aproximadamente 3,3 mil latas de leite por mês. Entretanto, neste mês, houve um problema de entrega com a empresa fornecedora do alimento. A Secretaria garantiu que as providências necessárias para regularizar a situação já estão sendo tomadas. Ainda segundo a instituição, já foi dado início ao processo de licitação para a contratação de uma nova fornecedora para abastecer as unidades de saúde do Estado.
Fonte: Folha de Pernambuco



