Faltam leitos de UTI para recém-nascidos no Estado

Pelo menos 28 leitos de terapia intensiva destinados a recém-nascidos precisam ser abertos na rede SUS de Pernambuco para resolver o déficit que amargura famílias e acaba contribuindo para a mortalidade infantil. O número da Secretaria Estadual de Saúde toma por base os 136 leitos neonatais calculados pelo Ministério da Saúde como necessários à população do Estado.

Existem, no momento, 108 leitos e a SES promete abrir, em dois anos, 50 novas vagas de UTI neonatal. Os serviços reabertos em maternidades da rede estadual, em Jaboatão e Vitória, nos últimos 30 dias, ajudam no atendimento ao parto, mas não implicaram em mais assistência intensiva neonatal, uma vez que não são de alto risco. Por isso, a lotação completa nas UTIs de recém-nascidos é rotina no Barão de Lucena, onde dez leitos foram inaugurados no ano passado, no Imip, no Hospital das Clínicas e no Cisam. Gestores de serviços, o movimento de mulheres e entidades médicas vêm cobrando na última década a descentralização do parto de alto risco, melhoria da qualidade pré-natal e plantões funcionando plenamente em maternidades fora da capital.

Todo dia, no Estado, uma nova família começa a enfrentar o drama vivido pelos pais do bebê Lázaro Rosendo Silva, que faleceu terça-feira sem o tratamento necessário. Conforme laudo liberado na quinta (26) pelo Serviço de Verificação de Óbito (SVO), a criança tinha “pneumonia bilateral”. Médicos da Maternidade Bandeira Filho, da rede municipal do Recife, em Afogados, onde o menino nasceu depois de a mãe, com gravidez de alto risco, ter procurado três vezes sem sucesso o Imip, detectaram a necessidade de terapia intensiva e suspeitaram de uma cardiopatia complexa. Como não há UTI na Bandeira Filho, tentaram o atendimento no hospital de alta complexidade, o filantrópico Imip, que devolveu o paciente por não ter vaga.

Quinta, a lista de espera por UTI da Central de Leitos do Estado indicava que outro recém-nascido, em Goiana, na Zona da Mata, aguardava vaga. A espera pelo tratamento também atinge crianças nascidas há mais de 28 dias (limite da fase neonatal). “Minha filha Ciziane nasceu há três meses. Doente, já passou por cinco hospitais em uma semana e está na enfermaria do Barão de Lucena, esperando UTI”, contou a agricultora Maria Regiana da Silva, 29, de Inajá, Sertão do Estado.

A dona de casa Maria José Silva, 27, de Barreiros, Zona da Mata Sul, acompanha há 11 dias o filho de 2 anos também no Barão de Lucena, outro que espera a terapia intensiva. As duas receberam apoio ontem da Associação de Defesa dos Usuários (Aduseps). O Estado tem 88 leitos de UTI pediátrica na rede própria, insuficientes para a demanda.

A Secretaria Estadual de Saúde assegura ser prioridade a assistência neonatal. Diz que abriu 46 leitos desde 2007, aumentando em 75% a oferta de UTI para recém-nascidos. Está licitando dez leitos na rede suplementar e os 40 restantes planejados serão em Jaboatão (10), Caruaru (10), Olinda (10) e Vitória (10).

Fonte: NE10

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