Faltam traumatologistas no Hospital Dom Murilo

Localizado às margens da BR-232, em Vitória de Santo Antão, o Hospital Regional João Murilo de Oliveira é conhecido por ser referência no atendimento de vítimas de acidentes de trânsito. Ao menos deveria. A falta de médicos traumatologistas, denunciada por moradores da região, tem impedido que a unidade faça jus ao status que lhe foi dado. Há alguns meses, quem vai ao hospital para ser atendido por um profissional especializado no tratamento e reabilitação de traumas sofre com a falta do especialista. Se antes o João Murilo contava com oito traumatologistas, atuando na emergência e no ambulatório, atualmente apenas dois médicos atuam na unidade.

Na manhã de ontem, a aposentada Rita Josefa dos Santos, 70, foi ao João Murilo na esperança de ser atendida. Chegando à unidade, foi informada da falta de médicos e orientada a voltar para casa, mesmo sem ser examina. Com o pé inchado e dolorido, devido à uma torção, ela dependia da ajuda da sobrinha para conseguir andar. “O único médico que tinha dentro do hospital era um cirurgião. Mas ele disse que não poderia me atender porque não era ortopedista. Moro nessa cidade há muitos anos e nunca passei por isso”, lamentou. A solução encontrada pela sobrinha da aposentada, Silvânia Maria da Conceição, 28, foi levar a parente para um hospital particular.

Exemplos como o de dona Rita não faltam. Basta chegar na entrada da emergência do João Murilo para ouvir as reclamações. Outra delas foi contada pelo mecânico Fábio Luiz Nascimento, 23. Na noite do último domingo ele derrapou com a moto e acabou machucando o pé direito. No entanto, só no dia seguinte ele percebeu o inchaço no membro e começou a sentir dores. Chegando no hospital recebeu a mesma informação: não havia médicos no hospital. “Procurei atendimento na segunda-feira e nada. Voltei hoje (ontem) e nada. Se não tem médico é melhor fechar”, reivindicou.

O diretor do hospital regional, Jairo Reis, admitiu a falta de traumatologistas no João Murilo. Segundo o gestor, até o ano passado, os especialistas atendiam no ambulatório da unidade. No entanto, em dezembro de 2011, conforme Jairo, o Secretário de Saúde do Estado (SES), Antônio Carlos Figueira, determinou que voltassem a atender em esquema de plantão na emergência. “Porém, a maioria se recusou a acatar essa orientação e abandonou suas atividades”, contou. Após cinco faltas consecutivas de seis médicos, o diretor se viu obrigado a notificar a SES e o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe). “Com isso, foram abertos processos administrativos para apurar o caso”, acrescentou.

Ainda conforme Jairo Reis, diariamente, o João Murilo conta com três clínicos, um cirurgião, dois obstetras, dois pediatras, um neonatologista e um anestesista. Traumatoligistas, porém, apenas dois dias da semana. “Só temos dois traumatologistas. Um atende na terça-feira e o outro na quarta-feira. Estamos empenhados em preencher a escala com todas as especialidades previstas. Até o meio do ano esperamos que isso seja resolvido”, afirmou. Através de nota, a SES afirmou que no segundo semestre de 2011 foram convocados quatro profissionais para reforçar a escala de médicos do João Murilo.

Fonte: Folha de Pernambuco

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