Famílias exigem rede de assistência

A explosão de casos de microcefalia em Pernambuco tem aumentado o clima de apreensão entre as famílias que tiveram crianças diagnosticadas com a anomalia. O maior medo é de que não haja uma rede de assistência de saúde capaz de atender à superdemanda que o Estado está enfrentando. “As unidades não estavam preparadas para os casos de microcefalia que já existiam. Imagina agora com esse quadro de epidemia. É assustador”, afirma a avó de uma criança portadora da má-formação. Ela pediu para não ser identificada na reportagem, mas disse que, se for necessário, vai procurar outras famílias que estão passando pelo mesmo problema para que os parentes entrem com uma ação judicial contra o Estado, caso o atendimento às crianças não seja garantido.

“Esse é o nosso receio. Os casos estão se multiplicando e não há uma estrutura sendo montada para dar conta dessa nova realidade”, critica a avó da criança. Sua neta tem 45 dias de nascida e já está sendo acompanhada por fonoaudióloga, fisioterapeuta e terapeuta ocupacional. “Por enquanto, o plano de saúde está cobrindo, mas nosso objetivo é que a criança seja acompanhada pela Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), que é uma referência nesse tipo de serviço. A questão é: eles vão ter capacidade para atender, só até agora, quase 500 crianças?”, questiona.

Para Silvana Nascimento, avó de um garoto também diagnosticado com microcefalia, a expectativa é preocupante. “É uma quantidade muito grande. E não para de aparecer mais crianças. Eles não vão conseguir atender tanta gente”, avalia. Com 16 dias de nascido, seu neto ainda aguarda a consulta com o neurologista do Hospital Universitário Oswaldo Cruz, que concentra o maior número de atendimentos de pacientes com microcefalia.

A criança já fez alguns exames obrigatórios, como a coleta de sangue e do líquido amniótico. “Disseram para a gente ir para casa e aguardar a consulta com o neuro. Só depois é que vão informar o que será feito em relação ao tratamento”, contou. O problema é a espera. “Confio muito em Deus, mas meu medo é não saber como essas crianças vão ficar daqui por diante.”

Fonte: Jorna do Commercio

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