Farmácia do Estado sem prazo para reabrir

Cerca de 40 mil pernambucanos estão com a saúde e a vida em risco com a paralisação da Farmácia do Estado. Aproximadamente 100 funcionários terceirizados da instituição cruzaram os braços desde ontem e deixaram de fazer a entrega de medicamentos. A queixa é de que os profissionais estão sem receber os salários de julho, o vale-alimentação e o vale-transporte. Os trabalhadores alegam que o Governo está em débito com Empresa Adlim, e esta também atrasou os pagamentos. O movimento paredista afirma que só normalizará a situação quando os empregados estiverem como salário na conta. A Secretaria de Saúde (SES) não deu previsão para quitar a dívida, e nem se pronunciou sobre um plano de emergência para não deixar a população desassistida.

A cartela ofertada pela Farmácia tem 235 tipos de drogas, entre elas, remédios para os transplantados. Ontem, vários pacientes que precisam dos insumos para impedir a rejeição de um órgão foram até a unidade que fica na praça Oswaldo Cruz em busca dos medicamentos. Receberam com desespero a notícia da greve. “Passei dez anos numa máquina até conseguir o transplante de rim. Foram sete anos na fila de espera. Consegui fazer meu transplante no Imip e agora estou com medo. Ainda estou internada porque tenho que tratar uma infecção, mas vim aqui para pegar o remédio”, narrou Daniele Lucena, 28, moradora de Patos, na Paraíba. José Antônio Oliveira, 56 anos, que fez um transplante de coração há dois anos, contou que, no último dia 17, conseguiu pegar uma das cinco drogas que toma. Ontem, ele se deslocou na intenção de conseguir as demais. “Sei que estão no direito deles de reivindicar. Mas e o direito do paciente? A lei de greve fala que deveriam manter pelo menos 30%, mas nem isso temos aqui”, reclamou. “Transplantado não pode ficar sem esse remédio muito tempo. Todo mundo sabe. O risco é grande de perder o órgão e até de morrer. O Governo tem que ver isso”, queixou-se Ana Paula Correia, 37, que foi em busca da medicação do marido.

Além dos transplantados, vários pacientes também foram em busca de insulina, remédio para artrite e artrose, esquizofrenia, Parkinson e outras doenças graves em que o valor das drogas é muito caro e são custeadas pelo Governo “O custo para tratar a infecção grave que minha tia tem no intestino é de R$ 2 mil por mês Ela não tem esse dinheiro” exemplificou Josenalda Felix 40. Já uma injeção para trata a artrite de Ivanise Lima, 45, sai por R$ 7,5 mil. Diferente da última sexta-feira, quando os terceirizados pararam por quatro horas e retomaram o trabalho, ontem, os trabalhadores resolveram suspender as atividades por tempo indeterminado. Em nota, a SES informo que não tem medido esforço para regularizar os repasses à empresas terceirizadas que prestam serviço à rede esta dual e vem mantendo diálogo com os servidores para que situação seja resolvida d forma responsável, sem prejudicar os usuários do SUS.

Fonte: Folha de Pernambuco

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