Sete meses depois da proibição da fabricação, comércio e uso de três inibidores de apetite do grupo das anfetaminas e restrição para a venda de sibutramina, a Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa) constata uma queda de 17% na retirada, pelos médicos, de receituários para remédios controlados dessa classe. Em todo 2011 tivemos 515 requisições e 218.399 receitas emitidas para os profissionais. No primeiro semestre de 2012, foram 211 pedidos e 87.819 receituários, informa Jaime Brito, gerente-geral da Apevisa. Os pedidos de receituário nos seis primeiros meses deste ano são 17% menores que a metade de todas as emissões do outro ano.
As medidas adotadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, na Resolução Nº 52/2011, com a proibição aos anorexígenos anfepramona, femproporex e mazindol e a restrição à sibutramina inibiram prescrições e devem ter impacto no consumo também, considera. Jaime Brito constata redução já anterior, quando comparados os anos de 2010 e 2011, na faixa de 37%. O Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC), que monitora a prescrição e consumo de medicamentos controlados, implantado a partir de 2007, estaria ajudando. As farmácias são obrigadas a alimentar semanalmente o sistema, informando o nome e a quantidade de cada medicamento controlado vendido, repassando também os dados do profissional que prescreveu o produto.
Para o gerente da Apevisa, o controle se tornará mais seguro ainda quando distribuidoras de medicamentos também forem obrigadas a alimentar o sistema. As normas atuais já estabelecem a prestação de informações, por meio de relatórios impressos ou por meio magnético à agência estadual de vigilância sanitária. Monitorando e comparando informações de distribuidoras e farmácias, a Apevisa pode detectar irregularidades, como venda excessiva de um mesmo produto a um único comprador e falsificação de documentos. É essencial que os balconistas e farmacêuticos exijam do consumidor o documento de identificação e não apenas solicitem a ele que coloque os dados no receituário, explica.
O uso de inibidores de apetite do grupo das anfetaminas e seus derivados agem no cérebro, para controle de apetite e sensação de saciedade. A sibutramina, proibida nos Estados Unidos e na Europa, que também tem efeito colateral questionado em outros países, é vendida com restrições. Endocrinologistas devem preencher, na hora da prescrição de medicamentos à base da substância, um termo de responsabilidade para uso do medicamento. A Anvisa entendeu que não há provas de eficácia das anfetaminas proibidas e que o risco do seu uso supera o benefício. A venda dos inibidores de apetite no Brasil era considerada muito alta. Segundo a agência, o Recife foi campeão, no Nordeste, em 2011, no consumo de fluoxetina, antidepressivo usado contra transtorno do pânico, mas que é utilizado em complemento a inibidores de apetite.
Fonte: JC



