“O governo federal procura trazer o médico como vilão da história das filas de espera para a realização de exames, para internação, para cirurgias e para a falta de leitos. Há uma rede de demandas não atendidas pelo sub-financiamento. O governo se faz de surdo aos apelos da categoria e não dá soluções definitivas, como mais investimentos, abertura de novos leitos e realização de concurso público”, destacou.
Na coletiva, o presidente do sindicato dos médicos do Ceará, José Maria Arruda Pontes, contou que trabalha como cirurgião na periferia de Fortaleza (CE), na região da grande Parangaba, conhecida como violenta, e que recebe pacientes graves de acidentes de carro, moto, com tiros e facadas.
“Eu dou plantão no Frotinha todo domingo e a primeira coisa que eu recebo do colega plantonista é a informação que não há nenhuma vaga no hospital. A família não entende que o médico não é responsável pela falta de leito. O profissional da saúde é responsabilizado de maneira injusta pelo caos total na saúde”, lamentou o médico”
SITUAÇÃO NO CEARÁ : Durante a exposição aos jornalistas, o médico da família no município, João Lins, denunciou a existência de 53 pacientes graves no Hospital Geral de Fortaleza (HGF) em macas precárias, no corredor do hospital, outros 50 no jardim do Hospital de Messejana (CE) aguardando leito de UTI, 70 crianças “internadas” nos corredores do Hospital Infantil Albert Sabin (HIAS) e outros 80 pacientes na mesma situação no Instituto Dr. José Frota (IJF).
“De quem é a culpa? A categoria que foi eleita como culpada por esse caos, que é resultado de um estilo de vida adoecedor e da incapacidade do poder público de dar uma resposta, foi a classe médica. Na verdade nós somos vítimas, pois essa situação gera impotência para nós” afirmou.
João Lins também tentou desconstruir a ideia de que o médico é elitista e possui boa remuneração. Ele trouxe o caso de um médico, especialista em cardiologia, no município de Aquiraz (CE), que recebe salário base de R$ 1,2 mil por mês e remuneração final (com adicionais) de R$ 2,2 mil. A FENAM defende piso salarial de R$ 10.412,00 para todos os médicos para uma jornada de 20 horas.
O secretário Estadual de Saúde do Ceará, Ciro Gomes, assumiu as responsabilidades dos problemas nos serviços do Estado, mas afirmou que está trabalhando para redução de filas, modernização dos hospitais e construção de uma rede de qualidade de alta complexidade. “Eu tenho a determinação de acabar com os pacientes no corredor no HGF, mas não é fechando portas, mas construindo uma central de regulação e comprando leitos de retaguarda”, prometeu o secretário.
VISITA AO HOSPITAL : Nesta sexta-feira (27), pela manhã, membros do Núcleo da FENAM e presidentes de sindicatos visitaram o Hospital Geral de Fortaleza (HGF) para verificar as condições de atendimento aos pacientes e de trabalho dos profissionais de saúde.
Na ocasião, foi verificada que estavam “internados” 53 pacientes graves nos corredores do hospital, o chamado “piscinão”, no qual as macas improvisadas ficam lado a lado, sem privacidade e sem condições adequadas de atendimento e de trabalho dos médicos.
“Isso é desumano com o paciente que está fragilizado. É uma violação grave dos direitos humanos. Nós vamos fazer uma série de visitas e denunciar à imprensa situações como essa”, afirmou o presidente da federação, Geraldo Ferreira.



