Fibrilação atrial: maior causa de Acidente Vascular Cerebral

SÃO PAULO – Apesar do avanço no tratamento, as doenças do coração persistem como maior fator de impacto de morte no País. De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Jadelson Andrade, em 20 anos o Brasil será campeão mundial de mortes por patologias cardiológicas que, atualmente, já matam 30 vezes mais que o câncer de mama.

“Deve ser preocupante para todos o fato de que as doenças do coração representam cerca de 30% de todas as causas de morte no Brasil”, afirma. Entre os males que mais acometem a população está a fibrilação atrial (FA), tipo mais comum de arritmia cardíaca, que tem origem nos átrios (ou aurículas), e cuja incidência aumenta com o avanço da idade.

Esta doença, que pode ser permanente ou paroxística (quando há episódios de arritmia), é, no mundo, a maior causa de Acidente Vascular Cerebral (AVC), também chamado de derrame. Os portadores de fibrilação atrial têm cinco vezes mais chances de ter um AVC. Isso acontece porque, quando há irregularidade na contração do átrio, o sangue depositado na cavidade pode formar coágulos que, ao serem expulsos, podem chegar ao cérebro e entupir uma ou mais artérias, causando o derrame.

Os coágulos também podem impedir o fluxo sanguíneo em outras partes do corpo, causando o que se chama de trombose. Segundo o cirurgião vascular Adilson Ferraz Paschoa, há 190 mil novos casos de tromboembolismo venoso (TEV) por ano. Destes, cerca de 30% vão repetir o episódio em até oito anos.

O TEV é a terceira doença cardiovascular mais comum em todo o mundo e é a causa mais comum de morte hospitalar evitável, englobando duas doenças graves: a trombose venosa profunda (TVP) e a embolia pulmonar. A TVP acontece quando um coágulo bloqueia o fluxo de sangue em uma veia, geralmente na perna. Os sintomas mais comuns da TVP são dor, inchaço, vermelhidão na área afetada e dilatação das veias superficiais.

Se esta TVP se romper, o coágulo pode migrar para os pulmões e bloquear a circulação naquele órgão, causando o que se chama de embolia pulmonar. Esta doença pode causar morte súbita ou danos a longo prazo para os pulmões e outros órgãos importantes. Os sintomas desta patologia incluem falta de ar aguda, dor no peito e frequência cardíaca aumentada. No mun­do, o TEV mata mais de 840 mil pessoas todos os anos.

Para evitar a fibrilação atrial, a Sociedade Brasileira de Cardiologia recomenda que todas as pessoas apalpem seus pulsos. “É a forma mais simples. Nosso coração bate cerca de 60 a 100 vezes por minuto, de maneira regular. Se palparmos o pulso, vamos perceber quando ele bate de maneira irregular”, explica Jadelson Andrade.
De acordo com o especialista, ao perceber algum batimento anormal, deve-se procurar o médico. O diagnóstico é rápido. “Só em auscultar ou com um simples eletrocardiograma é possível fazer o diagnóstico”, informa o presidente da SBC.

Fonte: FolhaPE

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