Filantrópicos pedem socorro

Hospitais filantrópicos de todo o País farão uma paralisação de advertência na próxima quinta-feira (25), fechando por 4 horas os serviços ambulatoriais e os procedimentos eletivos. A interrupção foi a resposta que as mais de duas mil entidades encontraram para demonstrar sua insatisfação em relação aos repasses da tabela SUS, que tem uma defasagem de valores histórica. Os serviços deste segmento de saúde representam quase 50% dos atendimentos o sistema, segundo informes do presidente da Federação os Hospitais Filantrópicos de Pernambuco (Fehops), Gil Brasileiro. Em Pernambuco, o movimento terá a adesão de 4 hospitais.

“Estamos em uma situação muito difícil. As migalhas que são repassadas não são suficientes”, reclamou Brasileiro, sobre os custos pagos pelo Governo Federal. Os valores perpassam por vários tipos de procedimentos, desde consultas ambulatoriais até cirurgias. Contudo, um segmento em especial tem preocupado o presidente da Fehops: a questão dos nascimentos. “Várias e várias maternidades têm sido fechadas por conta desse subfinanciamento. Ninguém vai trabalhar para não receber o suficiente para manter”, disse.

Com repasses de R$ 530 por parto, segundo a tabela do SUS, o Hospital Santa Terezinha, na cidade de Moreno, fechou este ano. “Ele não só extinguiu os partos. Ele fechou as portas. Virou uma movelaria. Todo e qualquer hospital que realize atividade de maternidade tem prejuízo pela tabela”, lamentou.

Gil Brasileiro exemplificou o caso do Hospital Tricentenário, em Olinda, do qual é diretor, e onde são realizados 630 nascimentos por mês. De acordo com o gestor, o repasse de R$ 530 da remuneração do SUS cobre menos da metade do valor de custo de um parto, que no Tricentenário é de R$ 1,2 mil. Para equacionar essa conta, Brasileiro comentou que a unidade recebe um incentivo do tesouro municipal na ordem de R$ 200 mil por mês. Esse aporte eleva o pagamento de um parto para cerca de R$ 800, mas ainda assim há um déficit de R$ 400 por procedimento. Esses buracos financeiros são fatores apontados pela Fehops para defasagem de profissionais, de leitos de maternidades e de hospitais. As peregrinações que as gestantes enfrentam na hora de parir são reflexo dos problemas denunciados. Andreia de Lima, 31 anos, mora em Itambé, na Zona da Mata Norte do Estado. Quando sentiu as dores do parto foi da cidade natal dela para Goiana e depois para o Tricentenário, em Olinda, onde finalmente havia médico e leito. “Vim perdendo o líquido desde às 4h da madrugada”, contou. Aparecida Maria, 29 anos, tem uma história parecida. Veio de Camaragibe para o Recife, já que na sua cidade não havia vaga. Procurou ajuda no Barão de Lucena, mas foi transferida para o Tricentenário, já que caso dela era considerado de baixo risco.

Fonte: Folha PE

Compartilhe:

Deixe um comentário

Fique por dentro

Notícias relacionadas