Formar especialistas em medicina intensiva é um desafio em meio à demanda crescente pelo serviço. O Ministério da Saúde preconiza que 4% a 10% dos leitos de um hospital sejam de UTI. Por isso, quanto maior for a oferta de leitos gerais, novas vagas de terapia intensiva precisam ser abertas e isso requer profissionais habilitados.
No entanto, poucos médicos se interessam em fazer residência na área. Um dos obstáculos são as exigências para cursar a especialização. Não há acesso direto ao curso. O médico precisa ter cursado antes residência em clínica-geral, cirurgia ou anestesiologia, diz o dirigente local da Associação de Medicina Intensiva, Gustavo Trindade. Ele reconhece que isso ajuda muita gente a desistir do curso. Além do mais, a rotina estressante, que compromete a qualidade de vida, também estaria afastando os candidatos.
Só os Hospitais Barão de Lucena (do Estado) e Esperança (privado) conseguem preencher as vagas de residência. Temos o curso no Hospital da Restauração, mas não aparecem candidatos, conta Fátima Buarque, coordenadora da UTI na unidade. Coordenadora do programa, ela recebe médicos em especialização de outras áreas, que acabam recebendo rápida formação em terapia intensiva. Para Fátima, a remuneração também não atrai os profissionais. Na prática, o mercado contrata cardiologistas, cirurgiões e anestesistas para atuarem nas UTIs. Os cardiologistas já estão acostumados a lidar com pacientes graves, diz Fátima, explicando a predominância desses profissionais nas unidades de terapia intensiva.
Fonte: JC



