O I Fórum Nacional de Integração do Médico Jovem provocou reflexões sobre a formação dos médicos brasileiros. Durante a manhã de quarta-feira (10), em Brasília (DF), representantes de entidades médicas, estudantes e autoridades abordaram temas relacionados ao ensino e residência médica no Brasil. O evento contou com a presença dos diretores do Simepe Marcus Villander e Mauriston Martins e foi transmitido ao vivo pela internet.
Durante a abertura, o presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Carlos Vital, defendeu a qualidade dos cursos de graduação e enalteceu a especialização como indispensável na Medicina. “Na nossa profissão prestamos cuidados a um ser em permanente transformação. Vocês são o futuro e este tem que ser planejado e bem construído”.
Segundo o coordenador da Comissão de Integração do Médico Jovem do CFM, José Hiran Gallo, em 2020, o Brasil contará com mais 35 mil novos médicos. “Um contingente expressivo que depende de ações imediatas para que possa colher os resultados esperados em alguns anos”.
Hiran destacou que com a chegada desses milhares de jovens profissionais, deve se manter o perfil atual da distribuição da nossa categoria segundo a faixa etária, que conta com pouco menos do que 50% com menos de 44 anos. “Um dado que se destaca é que do total de médicos brasileiros perto de 30% têm menos de 34 anos, atualmente. Isto é, são homens e mulheres que deixaram a pouco tempo os cursos médicos e se dividem entre o exercício profissional, muitas vezes em condições inadequadas, e a continuidade de sua formação”, disse.
A mesa de abertura do encontro ainda foi composta pelos presidentes da Associação Médica Brasileira (AMB), Florentino Cardoso Filho, da Associação Nacional dos Médicos Residentes (ANMR), Naiara Costa Balderramas, e do Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF), Martha Helena Borges.
Ensino – O debate sobre o papel dos diversos atores no Ensino Médico no Brasil teve destaque na programação do I Fórum de Integração do Médico Jovem. Os números atuais apontam a existência de 269 cursos de medicina, que, por ano, oferecem vagas para mais de 24 mil novos estudantes. A primeira mesa redonda do encontro selecionou seis palestrantes para avaliar o ensino médico brasileiro.
O conselheiro do CFM, Lúcio Flávio, destacou que 60% das escolas de Medicina no País são particulares com mensalidades que chagam ate 12 mil reais. “É uma expansão que preocupa todos nós. Principalmente quando analisamos a avaliação realizada pelo Ministério da Educação onde apontou que 59% das escolas avaliadas tiveram conceitos insuficientes”.
A mesa redonda apontou soluções para levar com mais eficiência a disciplina de ética e bioética para os jovens. Para Lúcio Flávio, os estudantes de medicina brasileiros precisam ter acesso a um corpo docente qualificado, a instalações físicas com condições adequadas e organização didático-pedagógica que propicie formar médicos que correspondam às exigências técnicas e sociais.
Por sua vez, o presidente da Associação Brasileira de Educação Médica (ABEM), Sigisfredo Luis Brenelli, defendeu a necessidade de se traçar projetos e qualificar o ensino. O professor citou o Sistema de Acreditação de Escolas Médicas (Saeme), projeto conjunto do CFM e ABEM lançado em 2015. “A avaliação externa dos cursos de medicina é um componente fundamental para aferir qualidade e desenvolver excelência na oferta de ensino. É um processo de avaliação que utiliza os conceitos de suficiência e insuficiência, não sendo classificatório”, destacou.
Segundo ele, a ideia é de que, em breve, a acreditação seja fundamental para que o curso seja socialmente reconhecido. “Trabalhamos para a qualidade na formação profissional. O modelo de avaliação exclusivamente estatal do Brasil e já está sendo acompanhada por diversos países que contam com esta experiência brasileira”.
O fórum tem continuidade nessa quinta-feira (11) das 9h às 18h, abordando entre os temas principais: a saúde mental do médico jovem, situação judicante do jovem médico e ações dos conselhos de medicina com os médicos jovens e residentes.




