Fósseis usados como remédio

Descoberta de pesquisadores do Departamento de Biologia da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) traz um novo olhar para a importância dos fósseis encontrados na Bacia do Araripe. Geraldo Jorge Barbosa de Moura e Ulysses Paulino de Albuquerque constataram que além dos valores paleontológico e geológico, os fósseis são usados como remédio. É o primeiro registro desse tipo nas Américas. A descoberta aconteceu no município de Nova Olinda, no Ceará, um dos três estados que integram a Bacia do Araripe. Os outros são Pernambuco e Piauí.

Os pesquisadores fizeram a descoberta ao conversarem com trabalhadores de uma companhia de cimento na Pedreira Caldas. Os trabalhadores revelaram o uso do fóssil de tartaruga como calmante para crianças agitadas. A grande novidade da descoberta, afirmam os estudiosos, está na questão cultural. “Embora o fóssil de tartaruga não tenha mais nada de tartaruga e só tenha minerais, as pessoas imaginam que pelo fato desses animais serem calmos, lentos e tranquilos, a raspa do fóssil pode acalmar crianças teimosas”, explicam. É a crença de que as características do animal pudesse ser transferidas para as pessoas.

“O uso dos fósseis nos surpreendeu”, confessam Geraldo de Moura e Ulysses Paulino. O tratamento descoberto é feito com chá da raspa do fóssil. Para os pesquisadores, a descoberta traz uma perspectiva diferente para a ciência. Isso porque o meio acadêmico somente pesquisava e utilizava em tratamentos, até agora, animais vivos. Nesses casos, os professores ressaltam a existência do uso de quelônios e testudíenos (jabutis, cágados e tartarugas) para o tratamento de pelo menos 22 doenças em todo o mundo. Os tratamentos vão de uma simples dor de garganta à difteria e a problemas psicológicos.

Diante da descoberta, os pesquisadores da UFRPE propõem, no artigo científico que publicaram em revista internacional, a criação de uma nova área de conhecimento. Seria a etnopaleontologia. Ela analisaria a relação do homem com os fósseis, incluindo aspectos como a percepção cultural dos fósseis, o comércio e o uso mítico e direto do fóssil. A etnopaleontologia, justificam, se diferencia de campos como a geologia médica, que estuda das relações entre o ambiente geológico e as questões de saúde de plantas, de animais e de pessoas.

Para Geraldo e Ulysses, a investigação da nova área de conhecimento (etonopaleontologia) pode no futuro – em outros locais e com outros fósseis – abrir uma porta para a descoberta de remédios.

Fonte: Diario de Pernambuco

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