Fundação Alice Figueira de Apoio ao Imip

Por Marly Mota – Membro da academia Pernambucana de Letras – marlym@hotlink.com.br

Recebo o belo cartão de Feliz Natal e Ano Novo do Imip– Instituto de Medicina Integral Prof. Fernando Figueira, sediado no antigo Hospital Pedro II, prédio que preserva as características arquitetônicas do neoclássico, onde funciona a Fundação Alice Figueira, de apoio ao Imip. Esta, atualmente tão bem presidida por Sílvia Rissin e o Imip pelo cardiologista Carlos Moraes, aliam-se ao médico Antonio Carlos dos Santos Figueira, secretário da Saúde do Estado de Pernambuco, filho de Fernando, médico, professor e amigo fraterno de Mauro Mota, assim como foi o seu irmão Dr. Antonio Figueira, ambos de convivência próxima nesta cidade do Recife, em todas as áreas culturais, especialmente na Academia Pernambucana de Letras, onde frequentemente se encontravam.

Para louvar o belo trabalho da Fundação Alice Figueira, encontro nos arquivos uma crônica na coluna Agenda, de 3-10-1971, Diario de Pernambuco, onde Mauro Mota escreve: (…) Chego à cidade de Garanhuns com os queridos amigos Nehemias e Eraldo Gueiros, para o almoço do aniversário de Dona Maria Alice Pedrosa dos Santos Figueira. Elegante e inteligente, de memória vivíssima, adora os ares e as flores de sua cidade. Olho na sala, as orquídeas, as rosas. Ela comentou logo: – Mais bonitas que as do Recife ainda importando de Petrópolis, São Paulo e até da Holanda, pagando transporte de avião e vendendo-as a preço de quem vai tirar o pai da forca. (…) Quase não me deu chance para dizer o motivo da visita.

– Parabéns pelo aniversário. 84 anos? Parece que a senhora aumenta vinte. – Vá pra lá com o seu confete. Eraldo o nosso governador, me defende:- Dona Alice, ele é “imortal,” da Academia de Letras. – Que imortal, que nada! Está muito amarelo. Pode bater a bota como qualquer um de nós. – Parabéns pelo aniversário! – você já disse isso. Expliquei que os parabéns eram também regressivos. Dirigiam-se a admirável pernambucana, que ficara viúva aos 33 anos, com oito filhos menores, e que não perdera o ânimo um minuto sequer, criando bem os meninos, mandando-os para o colégio e para frente. (…) Todos devem a formação à assistência permanente e aos estímulos de Dona Maria Alice, que, com decisão e amor, mantivera a continuidade, a atuação e a harmonia , da dinastia dos Figueiras..

Eu diria que a grande mulher Alice Figueira, tornou-se memória viva. A Fundação de Apoio ao Imip, com asas de anjo, debruça-se sobre o Recife, criando uma tessitura afetiva, através das crianças carentes, concedendo-lhes este refúgio.

Fonte: Diario de Pernambuco

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