Gordura não é sinal de nutrição

O diagnóstico da situação nutricional constatou outro fator alarmante: cresce o número de crianças acima do peso. Das 1.403 avaliadas, cerca de 8,9% estavam com sobrepeso ou obesidade. Quase quatro vezes mais do que recomenda a Organização Mundial de Saúde (OMS), cuja meta é de até 2,3%. O que muita gente não sabe, no entanto, é que os quilinhos a mais não significam que essas crianças estão livres da anemia. Pelo contrário.
“A obesidade era um problema que atingia prioritariamente os adultos. Agora, é comum já nos primeiros anos de vida. Os efeitos, porém, só serão sentidos mais para frente, com o aparecimento precoce do diabetes, das doenças cardiovasculares e de articulações”, afirmou o pesquisador Malaquias Batista Filho, que transformará sua pesquisa em livro. Como exemplo, ele citou que, na última década, cerca de 4,7% dos pernambucanos maiores de 25 anos tinham diabetes. Hoje, este quadro cresceu para 11,4%. “O excesso calórico, sal e as gorduras saturadas, provenientes da má alimentação, são os responsáveis”, apontou.

A nutricionista Cinthia Rodrigues afirmou que tem sido cada vez mais comum observar que as pessoas que estão acima do peso apresentam déficit de vitaminas, o que acarreta na anemia. “Mesmo que haja o aumento de massa corporal, isso não significa que houve enriquecimento de vitaminas e minerais. Pode ser apenas resultado das calorias adquiridas”, explicou.

Malaquias informou que está orientando um projeto de mestrado, a ser concluído no final do ano, que comprova que o número de crianças obesas com quadro de anemia cresceu no estado. “Esse é um aspecto novo que vem sendo discutido. O pernambucano aumentou quantitativamente o prato, mas baixou qualitativamente a dieta”, disse. Por conta da experiência em pesquisas na área, o professor recebeu, no mês passado, o Prêmio Fundação Bunge 2012.

Fonte: Diario de Pernambuco

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