A greve dos médicos do Hospital das Clínicas (HC) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) entra hoje no 19º dia mais forte e sem perspectiva de solução. Em assembleia na tarde de ontem eles decidiram reforçar a mobilização e, na próxima sexta, devem suspender também atividades de plantão, na maternidade e em outros setores da unidade federal de saúde.
“A direção do hospital só apresenta promessas verbais. Queremos um termo de ajustamento de conduta, com as medidas a serem tomadas e os respectivos prazos de execução”, informou o médico residente Pedro da Costa Mello Neto. Desde o início do movimento, os profissionais que cursam especialização nas 42 clínicas do HC listaram mais de 30 problemas e soluções que precisam ser adotadas. Na semana passada a direção do hospital, administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) há mais de um ano, apresentou alternativas. Mas como não estavam documentadas, os residentes não aceitaram a resposta e deram novo prazo, que terminou ontem.
Nesse último encontro, acompanhado por representantes do Conselho Regional de Medicina e do Sindicato dos Médicos de Pernambuco, não houve avanço nas negociações. Amanhã, os residentes fazem panfletagem às 9h, na porta do HC, na Cidade Universitária, e às 12h seguem ao Sindicato dos Médicos, no Centro do Recife. De lá, pretendem ir em conjunto ao Ministério Público Federal, apresentar as queixas que comprometem a assistência aos pacientes e a especialização dos profissionais. Além dos médicos, há nutricionistas, enfermeiros e psicólogos em programa de residência e participando da mobilização.
Preceptores dos residentes serão convocados para uma reunião, com a direção do hospital, na próxima segunda-feira. O encontro deve ocorrer na sede do Conselho Regional de Medicina. O hospital enfrenta problemas há mais de um mês, com a greve de funcionários técnicos-administrativos e pode ainda esta semana se deparar com manifestações de trabalhadores da Ebserh, que fazem campanha salarial no País. A lista de reivindicações dos residentes do HC contempla 11 setores do hospital. Na área de diagnóstico, pedem o conserto do mamógrafo, a compra de um aparelho de ultrassom portátil, manutenção do convênio com clínica privada para garantir ressonância magnética, contratação de um engenheiro e oferta de tomografia em outro serviço enquanto o HC providencia a retomada do atendimento. “A proposta do hospital é garantir fora da unidade 30 tomografias por mês, quando a nossa demanda é de 1.200”, alertou Pedro Costa Mello Neto. Contratação de pessoal para a UTI pediátrica e laboratório também fazem parte das solicitações.
Fonte: Jornal do Commercio



