As notificações da Síndrome de Guillain-Barré (SGB) pós infecção viral neste ano já chegam a 127. O número é seis vezes maior do que o de 2014, quando foram registradas 21 notificações, o que representa m aumento de 500% nas incidências. A informação foi confirmada contem pela Secretaria Estadual de Saúde (SES) e ministério da Saúde (MS). A uillain-Barré é uma neuropatia que atinge o sistema ervoso e provoca fraqueza os membros e sensibilidade a pele. Entre os pacientes que viveram a doença neurológica pós uma virose, a presença e exantema (erupção na pele que ocorre em doença aguda provocada por vírus) foi observada na maioria dos casos. ouve ainda a confirmação da correlação da síndrome com zika vírus, pelo pqAM/Fiocruz, em um dos acidentes investigados. A olha de Pernambuco antecipou na edição de ontem que o aumento de casos da síndrome, verificado desde junho, estava em investigação e também divulgou que havia sido detectado o zika nos pacientes com dano no sistema nervoso central. As confirmações reforçam a hipótese de que o vírus pode acometer as células do tronco-cerebral. O estudo de incidência de Guillain-Barré identificou no Estado 127 casos suspeitos de SGB, sendo 90 provenientes dos registros do Sistema de Informações hospitalares (SIH) do SUS e 37 do programa de gestão em saúde, Hórus. O aumento dos casos registrados no SIH foi observado principalmente a partir de maio. Do número total de notificações foi possível localizar 119 prontuários dos quais 81 foram revisados pelo estudo. Neles foram confirmados o diagnóstico de Guillain-Barré em 46 (57%) destes casos, sendo possível executar a entrevista em 41 (89%) desses indivíduos. A partir das entrevistas, a associação entre a síndrome e a possibilidade de infecção prévia foi observada em 22 (54%). O infectologista e consultor do Ministério da Saúde, Carlos Brito, comentou que alguns pontos chamam a atenção pela correlação com sintomas de zika. “É um mesmo padrão que a gente tem identificado. Cerca de 70% dos pacientes mostraram exantema antecedendo os casos neurológicos”, comentou. O quadro viral também apresentou dores nas articulações em 51% dos pacientes, febre em 54,5% e dor de cabeça em 50%. Dor muscular e prurido foram descritos em 40% dos casos cada. Dias depois da infecção viral, mais de 90% dos pacientes apresentaram fraqueza muscular decorrente da SGB, e mais da metade relatou outras alterações sensitivas e motoras. Entre os doentes, 45,5% evoluiu para a cura. Brito destacou que a pesquisa reforça evidências até então supostas. “É a primeira confirmação que há uma associação entre zika e quadros neurológicos no mundo”, enfatizou. A coordenadora do Departamento de Doenças Neuromusculares do Hospital das Clínicas, Renata Andrade, comentou que o setor vem recebendo um número maior de paciente com a síndrome desde o primeiro semestre. A complicação neurológica, que já tinha sido atribuída a casos de agravamento de dengue, deu um salto gigante levantando a suspeita que algo fora do habitual está acontecendo. “Existia uma suspeita realmente de associação com o quadro viral novo. E a maioria das pessoas relatava a presença de exantema anterior”, comentou.
Planos para barrar mosquito antecipados nos municípios
Por mais complexos que sejam os novos contornos e associações assumidos por doenças como dengue, hikungunya e zika, a chave ara a prevenção segue uma ó: combater a proliferação o mosquito transmissor, o edes aegypti. Para isso, a tentativa é antecipar as ações dos planos de contingenciamento, que incluem medidas para barrar avanço dessas enfermidades. As estratégias os municípios pernambucanos já foram laboradas e já estão nas mãos da Secretaria Estadual de Saúde (SES). A ideia é que, até o fim deste ano, as medidas sejam postas em prática. “Normalmente, começamos a pedir esse plano entre o fim de novembro e o início de dezembro, para que em janeiro já esteja tudo organizado e pronto para ser colocado em ação. Mas entendemos que é um momento que exige, sobretudo, rapidez, e solicitamos a elaboração das estratégias desde outubro. Cada cidade viu sua situação e o que pode desenvolver dentro de sua estrutura. Agora, avaliamos o suporte necessário”, explica a coordenadora do Programa Estadual de Combate à Dengue e à Chikungunya, Claudenice Pontes, lembrando que a prevenção cabe aos municípios. As ações incluem a visita de agentes de saúde ambiental e controle de endemias e, em casos específicos, a aplicação de larvicidas. Já o uso de fumacê, voltado à eliminação de mosquitos na fase adulta, ocorre quando muitas pessoas estão acometidas por uma das doenças numa mesma área. “Por enquanto, não tem como falar de nenhum reforço específico. Como é o mesmo Aedes aegypti, as medidas que vinham sendo aplicadas antes para dengue e chikungunya estarão no cenário de agora. O que há de concreto é a antecipação do reforço”, completa Claudenice. O gerente de Vigilância Ambiental e Controle de Endemias do Recife, Jurandir Almeida, lembra que o foco de todas as ações é a conscientização. Se a dengue já era motivo suficiente, as outras duas enfermidades, detectadas no País de um ano para cá, são razões de sobra para cada um fazer sua parte. “O poder público faz o bloqueio e o controle, mas as pessoas precisam estar cientes de seu papel. Isso será, mais do que nunca, alvo das ações lançadas nas próximas semanas”, afirmou.
Fonte: Folha de Pernambuco



