Hábitos saudáveis contra hipertensão

Ao aferir a pressão arterial durante uma campanha que oferecia serviços de saúde como muitas das ações que acontecem hoje, para marcar o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial, a cozinheira Valdete Araújo, 54 anos, descobriu que estava com níveis de pressão acima do limite considerado ideal – que, na média, devem estar em 120 e em 80 milímetros de mercúrio, ou simplesmente 12 por 8. “Na mesma ocasião, também fiz teste de glicose, que estava alta. Dias depois, fiz mais exames, que confirmaram diabete e hipertensão. Isso foi há oito anos. Tomo remédio para a pressão e uso insulina. Para fazer um check-up, vim à endocrinologista, que passou exames para ver se preciso mudar os medicamentos, já que a pressão e a glicose voltaram a aumentar”, contou Valdete, durante atendimento ontem no Ambulatório de Beneficência Maria Fernanda, do Real Hospital Português.

Graças a uma campanha educativa, Valdete passou a conhecer suas taxas e, assim, ter a chance de se tratar contra a hipertensão, que atinge um em cada três adultos. A doença acomete 28,4% da população recifense, segundo a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), divulgada este mês pelo Ministério da Saúde. A prevalência está acima da média nacional: 25,7%. Os cardiologistas acreditam que os números são maiores no País. “São 32% da população com mais de 18 anos (36 milhões) têm hipertensão. O percentual aumenta com o envelhecimento, que leva ao endurecimento das artérias, fator que promove o aumento da pressão arterial. Entre idosos, a prevalência da doença chega a 60%”, informa o cardiologista Vanildo Guimarães, coordenador do Departamento de Hipertensão da Sociedade Brasileira de Cardiologia – Regional Pernambuco.

O avanço da hipertensão, contudo, não está restrito à população idosa. Os casos em pessoas jovens também estão mais frequentes. “Isso é explicado pelo aumento da obesidade, sedentarismo e maior consumo de sal. Para prevenir e tratar a doença, indicamos atividade física regular, controle do peso, menor ingestão de gordura saturada, menor exposição ao estresse e interrupção do tabagismo. Quem já é hipertenso não pode deixar de tomar a medicação. Mas só 20% dos brasileiros com pressão alta têm a doença controlada”, frisa Vanildo Guimarães.

O tratamento medicamentoso, aliado a hábitos saudáveis, é o caminho para deter complicações da hipertensão, presente em 70% dos pacientes que infartam, segundo o médico. “Além disso, 80% das pessoas que têm um acidente vascular cerebral e 75% das que possuem insuficiência cardíaca apresentam hipertensão, que tem associação estreita com as doenças cardiovasculares.” Portanto, checar a pressão arterial regularmente e adotar cuidados para que os níveis estejam dentro das metas de proteção são essenciais para barrar doença silenciosa, mas considerada a principal causa de mortes no Brasil.

Fonte: Jornal do Commercio

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