Hanseníase: problema de saúde pública

Hoje, o diagnóstico e tratamento da hanseníase estão acessíveis e a maioria dos países endêmicos estão se esforçando para assistir aos pacientes de forma integral e equânime em áreas de maior risco das comunidades marginalizadas com maior índice de pobreza, a exemplo do Brasil. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), apesar dos avanços nos últimos anos, o Brasil continua com um dos piores índices de distribuição de renda do mundo. E, nos países onde uma parcela grande da população ainda vive em situação de pobreza, exclusão social e marginalidade, a doença encontra terreno fértil para se expandir. Nestes países faz-se primordial iniciativas que, a exemplo do ocorrido no Continente Europeu, venham a promover a melhoria da condição de vida, o acesso à educação e à informação, além do diagnóstico e acesso ao tratamento com poliquimioterapia (PQT), gratuita e já disponibilizado pela OMS. É de fundamental importância o diagnóstico precoce que possibilita a quebra da cadeia epidemiológica e a prevenção de incapacidades, que se constituem em elementoschaves dando direcionamento na estratégia para eliminação como um problema de saúde pública, definida como prevalência de menos de um caso de hanseníase por 100 mil habitantes. De acordo com relatórios oficiais recebidos em 2011 de 130 países e territórios, a prevalência global registrada da hanseníase no início de 2011 foi de 192.246 casos, enquanto o número de casos novos detectados durante 2010 foi de 228.474 (excluindo o pequeno número de casos-Europa). A maioria dos países anteriormente endêmicos já atingiu o controle em nível nacional, e, em 2007, a República Democrática do Congo e Moçambique, o TimorLeste em 2010. Um dos maiores problemas enfrentados pelos pacientes são as incapacidades e deformidades, que frequentemente são consequências do diagnóstico tardio e/ou da assistência deficitária e que, inexoravelmente, levam ao preconceito e tabus que envolvem a doença. A Sociedade Brasileira de Hansenologia (SBH) apresentou à coordenação Nacional da Hanseníase do Ministério da Saúde, projeto de treinamento de profissionais de todos os níveis da assistência na intenção de somar esforços, propondo-se a realizar oficinas de treinamento e educação continuada em serviços de referência local e nas Unidades básicas da estratégia saúde da família, através da discussão de casos clínicos. Para tanto prevê a participação do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase, o MORHAN nas discussões para definição de estratégias e de sociedades de especialidades. Segundo dados do Ministério da Saúde, 47 mil novos casos de hanseníase são detectados no Brasil a cada ano. O Nordeste apresenta um dos maiores índices de detecção e, em Pernambuco, em 2011 foram diagnosticados 3.204 casos novos – destes, acima de 300 em crianças menores de 15 anos. O Nordeste representa uma das áreas prioritárias onde se faz necessário a intensificação de ações que efetivamente promovam o diagnóstico e o tratamento precoces das pessoas com a doença, possibilitando a eliminação como problema de saúde pública.

*Mecciene Mendes

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