Os residentes do Hospital das Clínicas (HC), na cidade universitária, se reuniram em um ato público na manhã da última quinta-feira (20/06) em frente à unidade. Eles reivindicavam mais qualidade no serviço, investimento na infraestrutura do HC, nos medicamentos e procedimentos médicos.
Entre gritos de luta, cantavam “Isso aqui tá um vexame, falta tudo que é exame” e “Isso aqui tá uma zona, falta até o dipirona”. Os residentes abriram faixas de protesto, pediam o apoio dos pacientes e médicos da unidade. Eles saíram em caminhada do Hospital, seguiram pela BR101 onde sentaram no chão, fechando a faixa local da via. O objetivo era chamar a atenção da população para a situação da unidade.
Enquanto o ato público acontecia, a diretoria da unidade chamou para uma reunião os representantes das entidades médicas de Pernambuco. Do Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) estava o diretor de comunicação, Sílvio Rodrigues, do Conselho Regional de Medicina (Cremepe), o secretário Geral, André Dubeux, e da Associação de Médicos Residentes (APMR), o presidente Carlo Tadeu. Além das entidades, os residentes de pediatria também foram convocados, já que o protesto foi organizado por eles.
O movimento começou porque os futuros especialistas de pediatria do hospital foram relocados para outros serviços na segunda-feira (17/06) porque todos os pacientes do setor foram transferidos. A transferência aconteceu porque o grupo denunciou à Comissão de Residência Médica (Coreme) e para o Cremepe que estavam trabalhando sem o auxílio de um médico plantonista, ou seja, de um preceptor.
Segundo a residentes de clínica Médica, Crystiane Rodrigues, o apoio de um profissional da área é fundamental. “A residência é uma escola também e nós dependemos de um professor, de um preceptor. Eles são importantes para nos ajudar a dar assistência à população.” Explicou. Ela ainda pontuou que a falta de exames e medicamentos atinge todas as áreas do hospital. Atualmente, a nefrologia, clínica médica e pediatria estão fechados por conta destes déficits. “Não podemos internar os pacientes porque os leitos ficam fechados”, acrescentou Crystiane. Por isso, o ato público não foi apenas de uma especialidade, todos os residentes da unidade entraram na luta.
O infectologista do Hospital, Carlos Eduardo Padilha, concorda com os residentes alegando que os problemas são sérios. “Este é um movimento legítimo e alguma coisa deve ser feita para “salvar” o Hospital das Clínicas. Continuamos sem medicação, nem os exames básicos nós temos. Inclusive, nem o dipirona que é uma medicação básica para dor, nós não temos.” Sinalizou.
Atualmente no Hospital das Clínicas 237 acadêmicos fazem o programa de residência na unidade. Destes, 18 são da pediatria. O diretor do Simepe, Sílvio Rodrigues, avaliou que a situação do HC é grave. “Analisamos a situação como grave, os leitos estão fechados e esperamos que na reunião com o corpo clínico haja uma escala de emergência, até o concurso público, até abrir a emergência para compor a escala e fazer a supervisão dos médicos residentes” contou. A reunião foi marcada para a próxima terça-feira (25/06).
#Simepemanifesta
Na parte da tarde, os residentes, estudantes de medicina e médicos também fizeram parte do movimento nacional. Eles foram para a rua protestar por melhores condições de trabalho, mais investimentos na saúde e contra a corrupção. Faixas pediam investimentos no SUS, falavam do revalida e pediam hospitais padrão Fifa. O Simepe montou um stand na praça do Derby para que os profissionais de saúde pudessem pegar kits primeiros socorros e crachás indicando que são médicos.



