HC: nova gestão, velhos problemas

O Hospital das Clínicas (HC) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) fechou convênio com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) na tentativa de sepultar uma crise histórica, mas os dias difíceis parecem longe do fim. O Jornal do Commercio esteve lá na última semana e flagrou velhos problemas que ainda persistem, apesar do anunciado choque de gestão. Equipamentos encaixotados e sem uso há dois anos, setores fechados e um corredor escondido, inacessível aos pacientes, que virou cemitério de entulhos, com cadeiras, mesas, prateleiras, macas e até mesmo focos de dengue.

Os elevadores quebrados, mazela crônica do HC, continuam a ser um empecilho para funcionários e pacientes. Idosos ou pessoas com dificuldade de locomoção penam para chegar a pisos superiores. Uma empresa foi contratada no final do último ano para reparar nove deles. Dois foram consertados. A expectativa é que todos estejam em funcionamento até junho.

O setor de manutenção está fechado. De acordo com a direção, o contrato com a empresa terceirizada responsável pelo serviço expirou e não foi renovado. O processo está na reitoria. Nova empresa será contratada. A greve de servidores administrativos acentua ainda mais o quadro crítico do local.

Em diversos corredores há aparelhos novos ainda nas caixas, perecendo ao tempo e sem o devido uso. Produtos caros, como o equipamento de PET-CT (modalidade de diagnóstico por imagem que permite o mapeamento de diferentes funções do organismo) e o angiógrafo, estão encostados à espera de instalação. Numa das salas desativadas, um cartaz avisa: “Estamos trabalhando para instalação da ressonância magnética”. O aparelho está encaixotado perto dali, em dezenas de recipientes, enquanto pacientes sofrem com a ausência do serviço.

O diretor do Hospital das Clínicas, Frederico Jorge Ribeiro, informou que os projetos executivos estão sendo finalizados para que os equipamentos sejam instalados e os setores passem a funcionar. No caso da ressonância magnética, não há prazo. A sala onde vai ficar o PET-CT precisa de pintura e instalações elétricas para que comece a operar. “Não sabemos se ainda estão funcionando.”

Uma porta fechada convida para um corredor abandonado, que assusta e ao mesmo tempo resume o momento complicado que o HC tenta superar. São objetos velhos, quebrados e que, em vez de ser descartados, se amontoam no ambiente hospitalar. Desde cadeiras, mesas e birôs a macas e ar condicionados. Próximo a uma parede derrubada e a dois elevadores que não funcionam, há um punhado de lixo e duas poças d’água que podem criar condições para a reprodução do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue.

Frederico Jorge disse que o hospital tenta encontrar um galpão externo onde possa colocar o material. “Os inservíveis obedecem a um processo burocrático lento e, como se trata de patrimônio público, precisam ficar armazenados, no subsolo ou onde der”, afirmou. A questão do lixão no estacionamento, segundo ele, foi resolvida.

O convênio entre o HC e a Ebserh foi assinado em 11 de dezembro. A infinidade de problemas encontrados nesses mais de 100 dias surpreendeu. “O desafio é maior do que se imaginava. Temos um planejamento estratégico para os principais problemas do hospital e vamos apresentá-lo em breve. Enquanto isso, estamos tomando algumas medidas emergenciais”, pontuou. Concurso, mês que vem, vai preencher 881 vagas.

Fonte: JC

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