SAÚDE Saída do superintendente do Hospital das Clínicas não afasta os problemas enfrentados pela unidade desde o ano passado
Alvo de críticas e greves desde o ano passado, o Hospital das Clínicas (HC) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), uma das principais referências do SUS no tratamento de doenças graves, terá novo comando em uma semana. Pelo menos esse é o prazo dado pelo reitor Anísio Brasileiro, que resolveu substituir o superintendente George Telles, há cinco anos no cargo. Sabendo da mudança, três diretores entregaram seus cargos. Brasileiro está criando uma quarta diretoria – a de infraestrutura- e um conselho gestor para o hospital com participação de vários segmentos universitários. A mudança, no entanto, não deve resolver de imediato o maior problema: déficit de mil servidores que impede a abertura da emergência, a reabilitação de leitos fechados e a ativação de exames de alta tecnologia, como o pet scan, para diagnóstico de câncer avançado.
“Desde fevereiro pedimos ao Ministério da Educação para fazer contratações, mas elas só podem ser feitas pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), criada por decisão do Congresso Nacional”, explica o reitor. Por resistência dos servidores e outros integrantes da comunidade universitária, que temem a privatização do HC, a UFPE ainda não aderiu à EBSERH. Por decisão do Conselho Universitário há dois meses, um diagnóstico do hospital foi realizado. O resultado, que aponta para um déficit de mil trabalhadores, dos quais 450 para ativar a emergência, está sendo encaminhado à empresa, que fará uma visita às instalações no próximo mês. A perspectiva é que entre outubro e novembro, a minuta do contrato de gestão seja apresentada pela EBSERH. Mas ele só será firmado após amplo debate na universidade, garante Anísio Brasileiro.
O reitor se reuniu na tarde e noite de ontem com Telles e sua equipe. O antigo superintendente ficará no cargo até que o novo seja escolhido, informa o reitor. “A UFPE é muito grata ao trabalho do professor George Telles (cirurgião vascular), por sua competência e seriedade. Ele levantou o HC no ranking dos hospitais federais que captaram recursos e investiu em novos equipamentos”, afirmou Brasileiro. Telles não quis falar ontem sobre a substituição.
A mudança na organização é inspirada em modelo espanhol e do Hospital das Clínicas de Porto Alegre. A ideia é fortalecer o hospital, motivando uma maior participação dos trabalhadores e outros setores nas decisões políticas. O futuro superintendente deve ser um servidor da unidade hospitalar. A eleição do dirigente, como desejam sindicatos, ainda vai depender de um estatuto que está sendo construído para a universidade.
Sobre o problema crônico de quebra de elevadores, em 90 dias deve ser contratada uma empresa, segundo a reitoria. O reitor afirma que o hospital está abastecido, embora nos últimos dias várias denúncias tenham sido feitas de falta de alimentação e outros materiais. O HC tem 403 leitos. São mais de 30 especialidades médicas gerando 22 mil atendimentos ambulatoriais mensalmente. A média mensal de cirurgias fica entre 600 e 700, mas esse número não vem sendo cumprido devido à falta de pessoal, suporte de laboratório e outros problemas. Na unidade funcionam programas de residência médica e de outras oito áreas da saúde.
Fonte: Jornal do Commercio



