Provocada por pelo menos cinco tipos de vírus, a hepatite – inflamação do fígado – e as doenças relacionadas têm sido discutidas a fundo na capital pernambucana. A enfermidade atinge cerca de 30 mil brasileiros todos os anos. Na manhã de ontem, teve início o XVI Workshop Internacional de Hepatites Virais de Pernambuco, tema que será debatido por especialistas de todo o mundo, até amanhã, no JCPM Trade Center, no Pina, Zona Sul do Recife.
Para a presidente do Instituto do Fígado de Pernambuco e uma das organizadoras do workshop, Leila Beltrão, o evento já entrou no calendário da hepatologia brasileira. “É um evento que atinge os novos profissionais e serve de reciclagem para os mais antigos. Também incentiva os novos médicos a se tornar especialistas na área”, explicou.
O encontro começou com palestra de Ronaldo Campos, do Ministério da Saúde, sobre o planejamento estratégico do governo em relação às hepatites virais. Em seguida, teve início uma mesa-redonda sobre a Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA) – acúmulo de gordura no fígado. Um dos palestrantes foi o médico inglês Michael Heneghan, da Universidade de Londres.
O médico Mario Reis, do Hospital das Clínicas do Rio Grande do Sul, apresentou a relação entre o acúmulo de gordura no fígado e eventos cardiovasculares. “Não se trata de uma relação casual. As doenças cardiovasculares são importantes causas de óbito na Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica”, explicou.
A médica pernambucana Erika Rabelo afirmou que 94% dos pacientes obesos com índice de massa corporal acima de 30 apresentam DHGNA. “Isso tem sido uma das causas de transplante de fígado. E é importante saber que a obesidade vem crescendo no Brasil.”
Paralelamente ao workshop acontece o V Simpósio de Transplante Hepático e Hipertensão Porta – Brasil/Inglaterra. Hoje, participantes dos dois eventos discutem as hepatites virais e o transplante de fígado.
Fonte: Jornal do Commercio



