HIV: portadora pode ser mãe

Trinta crianças entre menos e 1 ano até os 14 anos foram dentificadas como soropoitivas em 2013, no Estado. Até novembro deste ano já ão 15 meninos e meninas contaminadas pelo vírus HIV. maioria delas contraiu a doença das mães, ainda na estação ou durante o parto. esse tipo de contagio dá-se nome de transmissão vesical. O desafio para prevenir que o bebê já nasça com a doença está no diagnostico antecipado ao parto, que também exige protocolos de segurança maior. Apesar dos cuidados redobrados, a Aids ão deve ser encarada como ma sentença de impedimento para que uma mulher realize o desejo de se tornar mãe. “O HIV não impede uma mulher de ter filhos. Tem que ter, na verdade, um companhamento adequado durante toda a gestação e controlar bem a doença. essa forma a gente vai permitir que a gravidez seja de segurança. Esse bebê pode ser gerado e pode nascer sem necessariamente estar doente”, afirmou o infectologista Moacir Jucá. Segundo o especialista, a mulher soropositiva continua durante toda a gravidez usando os remédios que controlam o vírus, mas o médico que a acompanha pode mudar algumas drogas durante esse período. A questão é manter baixa durante a gestação e no parto da carga viral (a presença do HIV no sangue) ao ponto dela se tornar indetectável. “Sem o tratamento, o risco de transmissão do HIV para a criança é em torno de 20%. É o que a literatura mostra. Se a mãe cumpre todas as recomendações médicas isso baixa para menos de 1%. É uma diferença muito grande”, destacou.

A principal medida para garantir um bebê se livre da doença continua sendo a investigação da Aids ainda no pré-natal, realizado nos municípios. É importante que o exame rápido seja disponibilizado nos primeiros três meses de gravidez, mas a estratégia precisa se aperfeiçoar e se popularizar. “Muitas vezes o que acontece é a gestante ir no posto de saúde que manda ela para um laboratório. Nesse modelo podemos perder paciente ou a a criança por que ela tem dificuldade de s deslocar, ou porque não tem tempo. Com isso ela acaba fazendo o teste tardiamente ou nem fazendo”, comentou o coordenador do Pro- grama Estadual DST/Aids François Figueiroa. O Estado já caminha para a implantação do exame em todas as maternidades e tem negociado com os municípios a disponibilização do testes nas unidades menores.

“Minhas filhas são sadias”

“Pensei que não pudesse ter filhos”, desabafou a dona de casaMarinalva Silva*, 37 anos. A soropositiva enfrentou dilemas importantes sobre a maternidade diante do HIV, mas venceu mais um estigma da doença. Tem duas filhas livres do vírus, uma de 4 e uma de 6 anos, e contou que a ajuda da família foi primordial para mais essa superação. Como aconteceu essa tua primeira gestação? Foi um sustão porque quando eu descobri a doença eu já estava em fase bem avançada e tive que me internar por seis meses. Quando sai do hospital a medica me perguntou se eu queria ser mãe e a possibilidade de engravidar. Naquela hora estavamuito fragilizada e disse que não. Não pretendia ter filhos, nem achava que fosse engravidar, mas quatro meses depois descobri a gravidez. Alguns medicamentos do coquetel foram mudados por outros. A médica já me explicou que o parto deveria ser cesariano e que o neném nasceria dentro da bolsa. Como foi essa experiência? Achava que eu nunca ia poder ter filho. Porque eu achava que não ia sair daquela fase tão grave. Eu achava que eu tinha tido alta do hospital, mas eu ia continuar doente. Mas não. Comecei a viver normal, fazendo tudo normal, ativa. E foi quando veio o neném. Veio ela, depois a irmã. Você pensa em ter mais filhos? Não. Já fiz ligadura. Sei que é muito risco. A gente sabe que tem esse controle, mas pode acontecer uma contaminação. É um risco para a mãe também porque na cesariana eu poderia pegar algum tipo de infecção na horada cirurgia. Quando você olha para as suas filhas qual o sentimento? O que passa pela cabeça? Sinto muita alegria. Porque é um alivio. Porque eu vejo as mães que têm filhos com problema crônicos de doença e o sofrimento que é. Para mim é uma alegria, um milagre. Tenho q agradecer todo dia. Minhas filhas são sadias. Que conselho daria as mulheres que são soropositivas, mas que gostariam de viver a maternidade? O conselho é tomar os medicamentos. Porque a partir do momento que esta tomando certo, a sua carga viral vai para quase zero. É importante ter o acompanhamento correto do ginecologista e fazer o pré-natal, além do acompanhamento de infectologista.

Procedimento mais indicado é a cesariana “Na hora do parto é onde está o maior risco da transmissão”, destacou François Figueroa. Estudos indicam que 65% dos casos de transmissão vertical o HIV ocorrem durante o trabalho de parto ou no parto. Para se cercar de cuidados, mesmo a mãe estando com carga viral indetectável, o mais indicado é optar por um parto cesariano marcado. Tudo para evitar que o bebê tenha contato com sangue da mãe. A cesariana é diferenciada porque o bebê é retirado junto com a bolsa gestacional, que é rompida depois. A amamentação é desaconselhada, já que o leite materno pode infectar a criança. A mulher recebe medicamentos para evitar a produção de leite, e o Estado garante a alimentação do bebê pelos primeiros seis meses. Já nas primeiras horas de vida a criança é avaliada. O recomendado é que a recém-nascido tome a medicação para Aids, AZT, até o primeiro mês de vida. Neste período são refeitos os testes para o vírus. O bebê em geral é acompanhado até o primeiro ano de vida.

Fonte: Folha de Pernambuco

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