A direção do Hospital Otávio de Freitas (HOF), uma das três maiores unidades de trauma da rede pública estadual, decidiu ontem suspender as cirurgias programadas (eletivas) do ambulatório de ortopedia para acabar com a fila de espera que tem atrasado o tratamento de crianças e adultos com fraturas e outros problemas ósseos. Eles estão internados na unidade há mais de 15 dias aguardando operação. Segundo Antônio Barreto, diretor do HOF, além da grande demanda que o hospital tem recebido, os dois feriados prolongados do Natal e Ano Novo (oito dias parados) prejudicaram a programação do bloco cirúrgico.
Mesmo dando entrada pela emergência, pacientes que necessitam de cirurgias mais complexas recebem o primeiro atendimento e são operados por médicos da eletiva, os que trabalham nos dias úteis, explica o diretor. “Como o Estado deu ponto facultativo nas vésperas de Natal e Ano Novo, as equipes ficaram de folga nos dias 24, 25, 31 de dezembro e 1 de janeiro. Nas sextas 21 e 28, operaram um número menor de doentes já que não voltariam ao hospital no dia seguinte para as revisões”, observou Barreto. As escalas de plantão estavam completas, assegurou.
Segundo o diretor do HOF, outras unidades estaduais de médio porte e conveniadas ao SUS também não receberam doentes para cirurgia nos dias de feriado. O Otávio realiza por mês, segundo ele, cerca de 500 cirurgias de ortopedia, sendo 200 delas previamente programadas e as demais, de urgência. A paralisação das eletivas, agora, é também para evitar a sobrecarga após o próximo feriado, o do Carnaval, na segunda semana de fevereiro.
Mães de crianças internadas no hospital e a Associação de Defesa de Usuários de Planos e Sistema de Saúde (Aduseps) denunciaram na última terça-feira que cerca de 15 meninos de 7 a 12 anos não tinham sequer previsão de ser operados. Entre eles está um garoto de 12 anos, Rafael Eloi dos Santos, que sofre com um deslocamento do fêmur, problema que o deixou paralisado da cintura para baixo. A cirurgia exige a presença de um cirurgião vascular e o paciente tem piorado, segundo a família, com febre e escaras abertas nas nádegas em razão da permanência numa única posição.
Wellington Santos, pai da criança, contou que após a denúncia à imprensa, o menino chegou a ser preparado na noite de terça-feira para a cirurgia, mas o médico desistiu de fazer o procedimento ontem de manhã. O diretor do hospital alega que havia outros doentes na prioridade. Ele informou à tarde que uma criança foi operada ontem, outras três passarão por cirurgia hoje, cinco receberam alta e as demais serão operadas nos próximos dias. Barreto será chamado pela Promotoria da Saúde do Ministério Público para prestar esclarecimentos.
Fonte: Jornal do Commercio



