As últimas fiscalizações feitas pelo Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) na área materno-infantil de três unidades de saúde do Recife não são nada animadoras. Na última semana, foram visitados os hospitais Barão de Lucena (HBL), na Iputinga, Zona Oeste da Capital, e Agamenon Magalhães (HAM), na Tamarineira, Zona Norte, além do Imip, nos Coelhos, no Centro. Os três possuem realidades bem semelhantes. Pacientes nos corredores, estrutura física precária, leitos superlotados, falta de material e equipamentos como respiradores e desfibrilador são alguns dos problemas encontrados.
Conforme a presidente do Cremepe, Helena Carneiro Leão, as informações serão repassadas a várias instâncias. “Ainda esta semana encaminharemos para a Secretaria de Saúde, Ministério Público, Tribunal de Justiça e diretorias das unidades de saúde”, afirmou. Ela ressaltou que desde a última fiscalização a situação nos três hospitais só piorou. “Isso não é digno nem para a mulher, nem para o bebê. É inadmissível que tenhamos uma situação dessas ainda no nosso Estado”, avaliou.
O caso do Barão de Lucena, referência estadual em atendimento materno-infantil de alta complexidade, o setor de espera conta com seis leitos. Contudo, no momento da visita do Cremepe havia nove pacientes internados, além de sete no corredor. Com uma média de quatro mil atendimentos por mês nas duas emergências (obstétrica e pediátrica), o hospital realiza, mensalmente, 300 cirurgias no bloco cirúrgico. Consequentemente, esses números acabam refletindo na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e Unidade de Cuidados Intensivos (UCI).
No Agamenon Magalhães os problemas são bem parecidos. Segundo o Cremepe, o número de atendimentos da maternidade da unidade de saúde está em crescimento. Em 2012, foram realizados mais de quatro mil procedimentos cirúrgicos, quando a capacidade instalada é para menos de três mil procedimentos por ano.
A projeção de atendimentos para 2013 é de mais de cinco mil, pois nos primeiros seis meses deste ano foram realizados 2.532 procedimentos. Por sua vez, as duas UCIs também estavam superlotadas. No total, existe capacidade para atender 25 pacientes, mas havia 34 internados. Com leitos superlotados, vários pacientes aguardavam acomodações em cadeiras.
No caso do Imip, o Cremepe denunciou que nove pessoas estavam internadas provisoriamente no setor de triagem. Não bastasse isto, a fiscalização do Conselho constatou que no setor faltava equipamento de desfibrilador. Foi observada ainda durante a visita que duas pacientes dividiam uma única maca, enquanto outras estavam acomodadas em cadeiras.
Conforme a Secretaria Estadual de Saúde (SES), ano passado a pasta lançou o Plano de Investimento em Maternidades de Alto Risco, com investimento total de R$ 81 milhões, até 2014, na construção de novas unidades e ampliação de leitos em unidades da rede existente.
Porém, com relação ao HAM e HBL, a SES reconheceu que as unidades recebem uma grande demanda de todo o Estado, mesmo assim, atendem “em plena capacidade e estão com suas escalas completas”. Isso porque, do novo concurso, realizado em 2013, oito médicos foram encaminhados ao HAM e outros dez profissionais assumiram vaga no HBL.
A reportagem tentou contato com a assessoria de Imprensa, mas até o fechamento desta edição, não conseguiu.
Fonte: Folha de Pernambuco



