No dia 18 junho de 2013, comemorou-se um grande feito da Medicina pernambucana e, por que não dizer, da brasileira: o Hospital Agamenon Magalhães (HAM) completou sessenta anos de existência. Eu fui convidado para as festividades, tendo em vista que, nele, trabalhei por mais de trinta anos. Porém, não havia voltado àquele hospital, desde a minha aposentadoria, e lá se vão longos anos. Pude rever muitas faces conhecidas, embelezadas pelo tempo e pela vida. Dei-me conta, ainda, de que as ocorrências da vida acontecem por questões de acúmulos, e não por revoluções ou rupturas. O bom, no entanto, é quando se dão de forma gradual, assim como em um sonho.
Cá, em meu canto, fui me lembrando dos tempos passados, dos plantões, do carinho de todos pelo batalhador HAM. O hospital, contudo, teve tantas siglas… Primeiro, foi um hospital particular, a Casa de Saúde São João. Em seguida, pertenceu ao IAPI (antiga sigla do Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Industriários). Depois, passou a ser propriedade do INPS (Instituto Nacional de Previdência Social), e findou desembocando para o atual SUS (Sistema Único de Saúde). Apesar de tantos donos, continua sendo o HAM de sempre. Ele permanece firme, adaptando-se e crescendo, conforme afirmou seu atual diretor (o Dr. Antônio Trindade, filho de meus colegas de turma: Gustavo e Carminha Trindade Henrique).
Lembrei-me, então, de um dos poucos sonhos que tive, e que chegou a se materializar. No Hospital Agamenon Magalhães, ao nascer, os filhos dos pobres passaram a ter, pelo menos, nas salas de parto, os mesmos cuidados que os filhos dos ricos: o direito de serem assistidos por pediatras neonatologistas de plantão. Muitos anos depois é que, por esse Brasil afora, se tornou obrigatória a presença de um pediatra, no momento do nascimento de uma criança. Como isto não foi considerado como um fato digno de ser divulgado, “badalado” pela mídia, ou seja, que não tinha fins eleitoreiros e/ou promocionais, não houve motivo para as pessoas tomarem conhecimento disso.
Todavia, isso não tem a menor importância. O bom, é que meu sonho se torno realidade! E, para mim, já é o bastante!
Fonte: Diario de Pernambuco



