Hospital: núcleo de uma novela

George Trigueiro

Diretor Médico/Operacional do Hospital Albert Sabin
georgemt@chalbertsabin.com.br

Publicação: 18/10/2013 03:00

Poderia acontecer em qualquer cenário um roteiro de novela que retratasse o atual momento da convivência social denominada de politicamente correta. Sem falso moralismo, fatos relatados em certo folhetim podem ocorrer em qualquer instituição: indústria, banco, comércio, igreja, tribunais e casas parlamentares, entre outros.

Mas por que, no momento em que querem usar os médicos como bodes expiatórios dos males da saúde pública, vide o Programa Mais Médicos, retratam uma instituição que sempre foi considerada um santuário, tal qual uma catedral, onde muitos vão procurar tratamento, cura, paz e esperança, como um antro de todos os males da sociedade?
Atualmente usam a palavra “humanizar” como se fosse solução do problema. Não somos nós, médicos,” humanos”? Talvez fosse mais adequado usar o termo ” animalização”, pois, atualmente, em certas ocasiões, os animais são mais bem tratados do que os “homens”.  Eles, os animais irracionais, têm moradia digna, alimentação, educação / adestramento, proteção social, carinho e são amparados na velhice. Não sei a destinação final. Mas os  “homens/mulheres velhos hoje sem direito  a planos de saúde vão para onde ? Seria melhor dizer: vamos “animalizar” a saúde. Nós, médicos, somos “humanos ” e  tratamos os nossos semelhantes  como tais. O mais grave é que, na novela, são denegridos todos os profissionais que labutam nos  hospitais: secretárias, enfermeiros, técnicos, auxiliares de higienização, administradores, contadores, advogados, laboratórios (querem desmoralizar o teste de DNA) , assistentes sociais ( adoção ilegal), entre outras profissões .

É muito fácil, após 40 anos, pedir desculpa por ter colaborado com o regime autoritário. Mas será difícil redimir o dano causado às gerações futuras, que querem ser profissionais de saúde, e estão vendo um hospital como ambiente de promiscuidade. Explorar a miséria, mostrar fatos negativos, estimular a violência, pode até dar audiência , mas enquanto a sociedade não cobrar  do estado o compromisso com a educação e formação de cidadãos, o caos  será inevitável nas redes  “ esgotos de televisão”. Entretenimento é necessário, mas a educação é prioritária. Não vai nesse comentário nenhum viés de concordância com censura. Defendemos a democracia.
O hospital é uma entidade que  sempre preservou saúde e pela vida. Mas acredito não ser o cenário ideal para relatar as mazelas do nosso povo de maneira negativa. Com todo respeito, querem denegrir a assistência médica em proveito político.

Já disse o renomado e saudoso tribuno paraibano, Alcides Carneiro, cujo nome denomina o Hospital Regional de Patos/PB:  “o hospital é a casa que por infelicidade procuramos e que por felicidade encontramos”.
Por favor, mais respeito. 18 de outubro: Dia do Médico.

Fonte: Diario de Pernambuco

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