Hospital pode ir para a UTI

O Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) e o Sindicato dos Médicos (Simepe) temem que milhões de reais em verbas destinadas ao Hospital das Clínicas (HC), ligado a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), acabem indo pelo ralo por falta de utilização do recurso e sejam devolvidos à União. O presidente do conselho, Silvio Rodrigues, denunciou, ontem, que o montante chega a R$ 18 milhões, e que parte do dinheiro deveria ser destinado a obras emergenciais de infraestrutura do prédio, que apresenta risco de desmoronamento. O diretor do HC, Frederico Ribeiro, negou que haja motivos para alarde e contestou que os recursos não estejam empenhados. Ribeiro também rebateu o saldo que havia sido informado para investimentos, que segundo ele é de R$ 16milhões, sendo R$ 8 milhões direcionados para obras.

Representantes do Cremepe e HC vão colocar as cartas na mesa emuma reunião marcada para hoje, que promete por em xeque a gestão do hospital. “Está se pondo em risco a estrutura e a saúde da população por conta das indefinições administrativas. Isso é urgente e preocupa”, disse o presidente do Simepe, Mário Jorge Lobo, sobre a situação do Hospital das Clínicas. Para ele, os problemas de gestão têm transformado a unidade em uma bomba-relógio. Silvio Rodrigues, do Cremepe, contou que um laudo do departamento de Engenharia da UFPE apontou que o prédio do HC apresenta risco estrutural, porque foi erguido sobre uma várzea, e os mecanismos utilizados na construção estão gastos.“O prédio precisa de bombas de sucção para manter a unidade de forma adequada, mas apenas dois terços dessas bombas estão funcionando. A médio e longo prazo, isso pode inviabilizar o funcionamento do hospital”, alertou.

Atualmente, o subsolo já sofre com alagamentos e vazamento de esgoto. As entidades médicas vão levar o caso ao Ministério Público e agendaram uma audiência com o órgão no dia 5 de dezembro. O diretor do hospital Frederico Ribeiro rebateu as críticas e afirmou que já existe duas licitações sendo preparadas para gastar R$ 8 milhões do saldo de repasse federal. Uma delas é o edital para escolha da empresa que fará o projeto de obras no subsolo. O termo de referência foi concluído ontem, e hoje será disponibilizado às empresas interessadas. Ribeiro negou qualquer insegurança do prédio. “O hospital foi construído em uma várzea, com uma técnica de construção de caixões de flutuação. Como tempo, o caixão deixou de ser impermeável e isso alaga o subsolo, mas não afeta a estrutura”, disse. A reparação da estrutura deve ficar para 2014, mas para Frederico não é possível estabelecer uma data. “A burocracia é normal no serviço público. Isso demora e infelizmente não podemos atropelar o andamento dos processos”.

Superlotação é problema comum a todas unidades

Além da situação predial, o Cremepe também promete focar em fiscalização dos serviços e infraestrutura do HC. Uma blitz acontecerá nos próximos dias para fazer um pente fino no local. A data não foi divulgada para impedir possíveis “maquiagens” no atendimento. Essas fiscalizações surpresa nos hospitais pernambucanos serão mais frequentes de acordo com Silvio Rodrigues. No último dia 18, foram vistoriados o Hospital da Restauração (HR), Agamenon Magalhães (HAM), Procape, Policlínica Amaury Coutinho e a Unidade Mista Barros Lima. Entre osproblemas em comum a superlotação que dificulta uma atenção digna à saúde.

“Na sala vermelha do HR, que é um local para estabilizar os pacientes, observamos 11 pessoas, sendo oito em ventilação mecânica. Estes são pacientes que precisam de cuidados específicos”, exemplificou o médico fiscal do Cremepe, Sylvio Vasconcelos. Pacientes internados em cadeiras derodas foram verificados no HAM e no Procape as pessoas se aglomeram em corredores. “O Procape tem capacidade para 33 pacientes e estava com 89. Não tem mágica. É um paciente em cima do outro”, relatou.

A blitz também identificou demoras nos exames laboratoriais e defasagem da escala de médicos no Amaury de Medeiros. “Isso tudo é uma constatação de insuficiência de investimentos em saúde”, disparou Mario Jorge Lobo. O relatório da fiscalização será encaminhado para as secretarias de saúde municipal e estadual, além do MPPE.

Fonte: Folha de Pernambuco

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