É com frequência que escuto as perguntas: doutora, e o treinamento? E a aula? A palestra, o curso… Enfim, todos os colaboradores do Hospital Albert Sabin, como a população de uma maneira geral, ainda estão se habituando à palavra e ao significado deste processo. Muito comum também: “Dra. Taciana, eu estava tão cansada, sem vontade, sem tempo, mas sempre que venho saio renovada, leve e acontece uma surpresa boa!” O importante é que estão participando e aos poucos transformando conceitos e atitudes, sem intelectualizar, apenas sentindo e se disponibilizando a cuidar e serem cuidados de uma forma humanizada.
Iniciei este projeto em julho de 2012, com foco nos profissionais envolvidos com o cuidado direto com o paciente, ou seja, a equipe de enfermagem (enfermeiros, técnicos de enfermagem e médicos), porém, fui solicitada pelos próprios funcionários para fazer com todos, independente da sua função.
E com o mesmo objetivo de cuidar do cuidador, extrapolamos para todos os setores do hospital, ou seja, desde os colaboradores da higienização, nutrição, recepção, rouparia, farmácia, etc… Desse modo, está sendo muito gratificante e um grande aprendizado, pois, fica muito claro, que, na brincadeira, através da linguagem corporal e quando nos permitimos ser cuidados e cuidar, prevalece a essência do ser de cada pessoa. Todos somos iguais, não importa a classe social, a função que ocupa ou o salário que recebe. A emoção é a mesma! O sentimento não tem raça, cor ou hierarquia!
Através de materiais simples, como bolas, espaguetes, tecidos, cordas, bambolês, entre outros, ao som de uma música e sem a utilização da linguagem verbal, os profissionais vêm aprendendo a se conhecerem, se respeitarem e, com isso, tornam o ambiente de trabalho mais harmonioso, o que reflete no cuidado com o outro.
Em 99 participei de meu primeiro grupo de sensibilização, após muito incentivo da minha terapeuta (Jussara Coutinho), com o meu professor e analista corporal Leopoldo Vieira. Lembro das minhas dificuldades com o toque, o acolhimento e a disponibilidade com o corpo. A partir desse momento, não desisti dessa luta de buscar transformações , mudanças que pudessem me proporcionar o bem-estar , me tornar uma pessoa melhor e qualidade de vida sempre! Fico pensando como seria bom e uma forma de combater o estresse (Síndrome de Bourneau) nos hospitais públicos, se pudéssemos, também, utilizar essa ferramenta da Psicomotricidade Relacional no processo de humanização dos serviços de saúde, como venho desenvolvendo no Hospital Albert Sabin. E dessa forma, perpetuar o ensinamento do grande mestre e cientista Albert Sabin: saúde igual para todos. E eu me atrevo a acrescenta: física , mental e da alma!
Fonte: Diario de Pernambuco



