HPV também nas mulheres jovens

A incidência de lesões pré-cancerígenas no colo do útero de adolescentes, provocado pelo papilomavírus humano (HPV), acende um sinal de alerta no sistema de saúde. Antes restrita a mulheres com uma média de 45 anos, a doença ganha outro perfil e passa a atingir também as mulheres mais jovens. Como na grande maioria das vezes o vírus é transmitido na relação sexual, especialistas acreditam que o principal motivo dessa migração de faixa etária é a iniciação sexual, que acontece cada vez mais cedo. Diante do novo quadro desse tipo de câncer, muitos pediatras prescrevem a vacina contra o HPV em meninas com idades variando entre 10 e 14 anos.

O médico Felipe Lorenzato, Phd em patologia molecular pela Universidade de Londres, onde estudou o HPV, explica que já operou várias mulheres com 19 e 21 anos com lesões pré-cancerígenas. Meninas nessa faixa etária, explicou o especialista, estão com o colo do útero em formação e podem ter o sistema imunológico mais frágil. Nessa idade, a parte do colo onde aparece a maioria das lesões causadas por HPV está mais exposta. Se, além disso, as defesas do corpo estão fracas, o vírus encontra o organismo perfeito para a vítima. Por outro lado, acredita-se que a vacina é mais eficaz nessa idade porque muitas meninas ainda não iniciaram a vida sexual. Como não tiveram contato com o vírus, vão criar anticorpos contra ele através da vacina.

A nova onda de vacina contra o HPV provoca dúvidas em muitas mães. Há quem imagine que vão incentivar as filhas a terem relação sexual mais cedo, já que a vacina dá um bom percentual de proteção contra o vírus. “As famílias precisam pensar que a vacina é um sinal vermelho contra o câncer e não um sinal verde para o sexo”, esclarece Felipe Lorenzato.

A gerente de loja Edilma Silva, 40 anos, disse que vai procurar um pediatra para tirar dúvidas sobre a vacina contra o HPV. Ontem, ela esteve em um centro de imunização do Recife para se informar. “Se pode prevenir o câncer, melhor. Só tenho essa filha e preciso cuidar bem dela”, brincou, ao lado de Maria Eduarda, 14.

A vacina contra o HPV custa, em média, R$ 380 a dose. Ao todo, a adolescente deve tomar três doses, sendo o primeiro intervalo de 60 dias e o segundo, de 180 dias em relação à primeira dose. “Muita gente critica o preço, mas é preciso prioridade com a saúde”, explicou o médico Felipe Lorenzato. Segundo ele, o Senado já aprovou a oferta de vacinas por parte do governo federal no Programa Nacional de Imunização. “Acredito que seria necessária a transferência de tecnologia para o país, pois hoje somente as indústrias internacionais fazem o produto.”

Atualmente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determina a vacina para mulheres de 10 a 25 anos, o que não impede que mulheres mais velhas possam solicitá-la aos médicos. Apesar da existência da vacina, a citologia, a colposcopia, a biópsia e a hibridização molecular também são formas de prevenção. Outra dica é quanto à higiene dos órgãos genitais antes da relação sexual. Essa atitude minimiza os riscos de contágio com o vírus.

Saiba mais

Mitos e verdades sobre o HPV

 

 

Existem centenas de tipos de HPV que causam câncer
(mentira)

Dos 100 tipos do papilomavírus humanos, cerca de 15 são causadores de câncer de colo uterino. Os mais agressivos são os HPVs 16, 18, 31 e 45, responsáveis por mais de 80% dos casos de câncer

O HPV é transmitido exclusivamente por meio de roupas e objetos infectados
(mentira)

O vírus é transmitido, na maioria das vezes, nas relações sexuais. A transmissão também ocorre quando há atrito da pele com a mucosa infectada. Isso vale para as mãos, boca e genitais

A camisinha protege 100% contra o HPV
(mentira)

Como não cobre toda a área de contágio, pode-se transmitir o vírus mesmo usando camisinha

Exames de sangue e urina são exames de prevenção ao câncer de colo do útero
(mentira)

Os exames de prevenção ao câncer de colo do útero são papanicolau e colposcopia. Alguns médicos pedem exames complementares, mas realizar esses dois procedimentos anualmente costuma ser o suficiente para flagrar o menor sinal de infecção e diagnosticar lesões causadas pelo HPV

Verruga não causa câncer
(verdade)

Os tipos de vírus que causam verrugas e os que levam ao câncer são bem diferentes. Apesar de serem altamente contagiosas, as verrugas não evoluem para o câncer

Mulheres que já tiveram infecção por HPV podem se vacinar
(verdade)

Como a vacina contra HPV oncogênico protege contra mais de um tipo de HPV, a proteção contra outros tipos não envolvidos na primeira infecção poderá beneficiar estas mulheres

Crianças de 0 a 10 anos têm que tomar a vacina
(mentira)

Não há estudos científicos publicados sobre a efetividade da vacina em meninas com menos de 10 anos de idade. A recomendação da vacina contra HPVs oncogênicos é para mulheres jovens e adultas de 10 a 25 anos

O vírus HPV pode ficar um ano inativo
(verdade)

Normalmente por até um ano, mas é possível que fique inativo por tempo indeterminado

Após a vacinação contra o HPV, não é necessário submeter-se periodicamente a exames de prevenção
(mentira)

A vacinação é uma prevenção primária e não substitui os exames ginecológicos regulares ou as precauções contra a exposição ao HPV e às doenças sexualmente transmissíveis

Fonte: Imip/Diario de Pernambuco

 

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