HR é alvo de vistorias um dia após acidente

Depois que o forro de gesso caiu sobre pacientes, Hospital da Restauração recebe fiscalização de vários órgãos. Governador pediu providências à SES-PE

Um dia após o forro de gesso do teto ter desabado sobre pacientes que estavam em uma enfermaria da unidade de traumatologia, devido a um vazamento de água, o Hospital da Restauração (HR), maior centro médico público do estado, foi alvo da fiscalização de várias entidades. Todas apontaram que, embora o funcionamento da ala vermelha, no qual houve o incidente, ter sido rapidamente normalizado, com consertos emergenciais, a situação ainda é preocupante. O Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), por exemplo, falou em “cenário de guerra”.

“O problema foi corrigido rapidamente, mas vimos só naquele setor de traumas mais de 200 pacientes ao mesmo tempo”, relatou o presidente da entidade, Walber Steffano. O acidente ocorreu às 13h30 da última segunda-feira. Quase 100 pacientes tiveram de ser realocados momentaneamente. Ninguém se machucou.

O Conselho Regional de Enfermagem (Coren-PE), por sua vez, afirmou não ter se surpreendido, pois apontamentos já haviam sido feitos à direção do HR. “Do relatório que fizemos, destacamos a superlotação em várias áreas, déficit de pessoal e problemas estruturais que não dão segurança aos pacientes nem para os profissionais exercerem suas atividades. Quando a equipe chegou à unidade, à noite, os reparos provisórios foram feitos para dar continuidade à assistência, mas cobramos a solução definitiva”, explicou Ivana Andrade, chefe de fiscalização do Coren-PE, a primeira entidade a vistoriar o local, ainda na noite de segunda-feira.

“Rachaduras, vazamentos, fios expostos, pacientes no chão, foi o que vimos”, também relatou Cláudio Prado, representante do Conselho Estadual de Direitos Humanos, outro órgão a visitar o HR ontem, que também recebeu a vistoria do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco, o Cremepe.

Em entrevista à Rádio Jornal, o diretor do hospital, Miguel Arcanjo, reconheceu que o hospital está superlotado. “Não há o que esconder sobre isso”, disse, acrescentando que, sim, há pacientes nos corredores. “Muitos não querem ir para um hospital particular porque dizem que aqui estão com melhores médicos e condições”, tentou se explicar.

Após cerimônia de posse de novos secretários estaduais, ontem à tarde, o governador de Pernambuco, Paulo Câmara, também se posicionou sobre o fato, que chocou os pernambucanos, já que as imagens da água e teto caindo sobre pacientes, alguns entubados, foram rapidamente espalhados pela internet (aliás, havia dezenas de familiares do lado de fora do HR, no horário de visitação, na tarde de ontem).

“Estão autorizadas intervenções necessárias nas unidades de saúde, inclusive todas as questões financeiras estão devidamente equacionadas”, garantiu o governador. “Tenho mantido contato com a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) para verificarmos exatamente se há outros pontos de fragilidade, a fim de que sejam corrigidos. Não podemos ter mais riscos.”

A SES-PE disse, em nota, que não há problemas estruturais no prédio, e que o vazamento foi pontual. Também relatou que há estudos para mudar o perfil do Hospital de Referência para a Covid-19 de Boa Viagem para que possa servir de auxiliar ao HR, amenizando a demanda do centro.

O Ministério Público de Pernambuco agiu: instaurou uma Notícia de Fato, exigindo explicações da direção do HR. O prazo terminou na noite de ontem.

Fonte: Diario de Pernambuco 

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