SAÚDE Adolescentes a partir de 16 anos poderão ser submetidos à operação, desde que a obesidade ofereça riscos à sua saúde. Medida faz parte de pacote anunciado pelo governo
BRASÍLIA – O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou ontem um pacote de medidas para prevenção e oferta de tratamento aos pacientes que sofrem de doenças relacionadas à obesidade. Entre elas, o aumento dos recursos para cirurgias, a inclusão de novas técnicas para operação e a alteração da idade mínima e máxima para cirurgia bariátrica.
A partir de agora, não haverá mais idade máxima para indicação da cirurgia e a idade mínima foi reduzida de 18 para 16, desde que o paciente corra risco de saúde por causa do sobrepeso. A decisão foi tomada após estudos apontarem aumento no número de adolescentes obesos.
Antes de fazer a cirurgia, os jovens terão de passar por uma avaliação clínica. No prontuário, deverão constar a análise da idade óssea e avaliação criteriosa do risco-benefício, feita por uma equipe com participação de dois médicos especialistas. “O que é mais importante é a avaliação clínica feita pelo médico”, destacou Padilha.
Ao anunciar as medidas, o ministro também divulgou pesquisa elaborada pela Universidade de Brasília segundo a qual o Sistema Único de Saúde (SUS) gasta anualmente R$ 488 milhões com o tratamento de doenças relacionadas à obesidade. De acordo com o trabalho, baseado em custos de 2011, a maior parte dos recursos é destinada para o atendimento hospitalar, com o qual foram gastos no período R$ 289 milhões. Para atendimento ambulatorial, foram gastos R$ 199 milhões.
Os números preocupam o Ministério da Saúde, principalmente quando se leva em conta o avanço do sobrepeso e da obesidade no País. A população de obesos cresce 0,76% ao ano. O grupo de pessoas com excesso de peso, por sua vez, registra um aumento médio anual de 1,05%. Isso significa que, caso a tendência não seja revertida, os gastos com tratamento dessas doenças deverá aumentar ainda mais.
O crescimento da população com obesidade mórbida também assusta. A velocidade no crescimento é 4,3 vezes maior do que a da obesidade. A estimativa é a de que tenham sido gastos R$ 32 milhões com cirurgias bariátricas no País em 2011. “Esse é o momento de agir Temos de adotar ações globais”, afirmou Alexandre Padilha.
O tratamento de mulheres com obesidade ou doenças relacionadas foi responsável por 67% do total consumido: R$ 327,7 milhões.
Esta é a primeira vez que o levantamento é feito. Isso impede avaliar o crescimento dos gastos com obesidade e doenças relacionadas com períodos anteriores.
Fonte: Jornal do Commercio



