Idade pressiona as despesas

Para driblar as dificuldades de acesso ao SUS, o brasileiro compra um plano de saúde. O sistema privado movimenta por ano uma receita de R$ 94,9 bilhões no país. São R$ 79,8 bilhões pagos pelas operadoras com atendimentos na rede conveniada. O envelhecimento da população tem pressionado as despesas dos convênios médicos. Por outro lado, falta investimento na rede assistencial para acompanhar o crescimento de usuários. Entre 2000 e 2012, o número de pessoas com planos de saúde passou de 30,9 milhões para 47,9 milhões. Quando não consegue atendimento no convênio, o usuário busca o SUS.

“Há 17 anos existe duplicidade de atendimento no SUS. Antes da Lei nº 9656, os contratos eram restritos. Garantiam apenas quatro, cinco dias na UTI. Depois o paciente era transferido para a rede pública. Hoje o médico pede a vaga para o seu paciente no SUS. É preciso que haja fiscalização rigorosa em cima disso”, sintetiza Renê Patriota, coordenadora executiva da Associação de Defesa dos Usuários de Planos de Saúde de Pernambuco (Aduseps).

José Ceschin, presidente da Fena Saúde, entidade que representa as seguradoras, diz que o papel do sistema privado é suplementar à assistência que o sistema público não dá. Ele cita o modelo da Inglaterra, que é universal como o SUS, e garante a enfermaria. “Se o usuário quiser um quarto privado, paga pelo plano de saúde. No modelo brasileiro, os sistemas andam paralelos. Não são competitivos. Há exceções, por exemplo, o transplante de coração que o plano de saúde não dá”, salienta. Ceschin cita o aumento da taxa de sinistralidade (uso dos serviços médicos) como um indicativo de que o sistema enfrenta dificuldades de financiamento.

Diretor do Departamento de Regulação, Avaliação e Controle do Ministério da Saúde, Fausto Pereira dos Santos destaca que o grande desafio da saúde pública é a complementariedade com o sistema privado. Segundo ele, o sistema suplementar tem um grave problema nos leitos hospitalares nos grandes centros urbanos e nos leitos de UTI. “A saúde suplementar está com dificuldade de responder no tempo.”
Amanhã, último dia da série A saúde do brasileiro, conheça as propostas para tornar o sistema de saúde mais justo e eficiente.

Fonte: Diario de Pernambuco

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