Identificação única em estudo

Um sistema de saúde sem porteiras. Recebe pacientes do SUS e dos planos de saúde. O modelo universal obriga o Estado a tratar os cidadãos como iguais. Nada mais justo. Só que o usuário do plano paga duplamente (impostos e a mensalidade) e tem acesso à rede privada. A inexistência de um modelo de identificação do paciente dificulta o ressarcimento ao SUS, regra criada pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para as operadoras reembolsarem os atendimentos de seus clientes nas emergências públicas.

Relator da Comissão Especial na Câmara que debate o financiamento da saúde, o deputado Rogério Carvalho (PT-SE) defende um sistema de identificação única no Brasil. “Com a identificação universal, poderíamos saber quando o usuário do plano de saúde é atendido no SUS. É uma forma de facilitar e dar transparência não só para o ressarcimento, mas ter as transferências para o SUS de todos os atendimentos de planos de saúde”, destaca.

No ano de 2012, a ANS cobrou das operadoras R$ 194,2 milhões de procedimentos médicos realizados pelos usuários de planos nas grandes emergências do SUS no país. Deste valor, foram arrecadados apenas R$ 71,63 milhões. As empresas do setor recorrem à Justiça para evitar o reembolso. O argumento das operadoras é que o sistema público é universal e todos os brasileiros têm direito à assistência médica gratuita.

Bancar custos

O diretor-presidente da ANS, André Longo, avisa que a agência está com um projeto piloto para garantir o pagamento de transplantes feitos no sistema público pelo usuário da saúde privada. “Hoje, no Brasil, o programa de transplante tem uma fila única para o usuário do sistema público e o do sistema privado. Existe um projeto para que os planos de saúde paguem os transplantes feitos no SUS”, adianta. Segundo ele, a ideia é criar um mecanismo de controle para saber quem usa a rede pública e por que ela é utilizada.

A pesquisadora do Ipea Luciana Servo aponta as contradições do nosso sistema de saúde. “A ANS cada vez mais busca ampliar os serviços, e os planos cada vez mais restringem o acesso. Na verdade, as pessoas pagam o plano de saúde do próprio bolso e não conseguem ser atendidas. Quando tentam entrar por esta porta e não conseguem, pegam os exames e vão para a fila do SUS.”

Na edição de amanhã, veja de onde vêm os recursos para a saúde no Brasil e a necessidade de um novo financiamento para evitar o colapso do sistema.

Fonte: Diario de Pernambuco

 

 

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