Transferência e operação ocorreram após determinação judicial, atendendo a pedido da Defensoria Pública. Defeito em equipamento impediu realização de procedimento.
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A idosa que foi sedada e cortada na sala de cirurgia, mas teve a operação cancelada por causa de um defeito em uma máquina em um hospital, no Recife, recebeu o marca-passo em outra unidade de saúde da cidade. Segundo a família da aposentada Maria Helena Nascimento de Santana, de 76 anos, a transferência e o procedimento cirúrgico ocorreram na noite de sexta-feira (5), após uma determinação da Justiça, que atendeu a um pedido da Defensoria Pública de Pernambuco.
O problema com Maria Helena ocorreu na terça-feira (2), quando ela entrou na sala de cirurgia do Hospital Nossa Senhora do Ó, no Prado, na Zona Oeste do Recife. O neto da idosa, o pedagogo Thuan Cesar nascimento, de 23 anos, contou que ela precisava de um marca-passo definitivo, já que os médicos tinham colocado um equipamento provisório.
“Ela já tinha sido transferida de outro hospital da rede, no Janga, [em Paulista, no Grande Recife], por causa de um problema no equipamento da sala de cirurgia”, declarou.
Em nota, emitida na sexta, a unidade alegou que a máquina quebrou no momento do procedimento. Disse também que o aparelho tinha sido usado em outra cirurgia, no mesmo dia, e que faz revisões periódicas dos sistemas.
Neste sábado (6), Thuan Cesar informou ao G1, por telefone, que a avó está no Hospital Santa Joana, também da rede particular, na área central da cidade, e foi atendida por meio do convênio. Ela vinculada ao Serviço de Assistência à Saúde dos Servidores de Pernambuco (Sassepe).
Ele contou que a aposentada se recupera do procedimento na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) coronariana. “Ela já sentou na cama e se alimentou. Vai ficar mais algumas horas e se tiver tudo certo, seguirá para um quarto”, disse.
O jovem lembrou que, no fim da tarde de sexta, a família recebeu a informação de que a Defensoria Pública tinha conseguido uma decisão judicial para transferir a aposentada. “A minha mãe recebeu a informação pelo defensor Manoel Jerônimo e entrou em contato com o plano de saúde, que autorizou a transferência”, disse.
Por volta das 19h30, segundo Thuan, a avó dele seguiu para o Hospital Santa Joana. “Por volta das 23h, ela entrou no bloco cirúrgico e saiu pouco depois da meia-noite”, acrescentou.
O caso chegou à Defensoria Pública de Pernambuco, na tarde de sexta. De acordo com o órgão, a família da idosa foi orientada a procurar um defensor para entrar com uma ação e providenciar a transferência da paciente.
Horas depois, a 5ª vara da Fazenda Pública da Capital determinou a “imediata implantação do marca-passo em rede de hospital conveniado com o Sassepe ou em hospital particular, sob pena de multa diária de R$ 1 mil”.
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Laudo
Na sexta, Thuan enviou ao G1 um documento expedido pelo eletrofisiologista Alberto Nicodemus, que solicitava a implantação do marca-passo definitivo, com urgência. O laudo tem data de quinta-feira (4), dois dias depois da tentativa de procedimento cirúrgico que não foi realizado.
No documento, o médico fez um relato sobre a situação de Maria Helena e disse o que aconteceu no hospital.
Ele informou que a paciente estava internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por causa de “pré-síncope secundário e bloqueio atrioventricular total.” Disse, ainda, que ela teve implantado um marca-passo provisório, em “caráter de urgência”.
Diante do quadro, o médico afirmou que a paciente aguardava um procedimento para implante de marca-passo definitivo, que estava marcado para o dia 2 de julho e ”foi suspenso por defeito no equipamento do RX”.
O documento disse, ainda, que foi detectado que a paciente depende de estimulação cardíaca. “No caso de deslocamento do cabo de marca-passo, pode sobrevir parada cardíaca e morte”, escreveu.
Por isso, o médico disse que seria preciso fazer a implantação do marca-passo definitivo, com urgência. “O risco de morte súbita é aumentado, além dos riscos de contrair uma infecção hospitalar por esperar em uma UTI”, acrescentou.
Problemas
O defeito na máquina foi o problema mais grave detectado pela família da aposentada no Hospital Nossa Senhora do Ó. Os parentes de Maria Helena afirmam que a paciente foi vítima de “negligência” e “maus-tratos”.
Thuan Cesar relatou, ainda, que os problemas começaram desde a chegada à unidade, no Recife. O rapaz disse que não havia documentação e a avó teve que ficar esperando na recepção.
O jovem relatou, ainda, que a avó disse que as técnicas de enfermagem não queriam ficar com ela por causa da gravidade do quadro de saúde e porque ela era muito pesada.
Neste sábado, o pedagogo disse que o caso da avó deve servir de alerta para as autoridades. “Aquele hospital onde ela estava tem muitos problemas e não pode ficar impune. Não quero dinheiro nem nada, só quero que as pessoas deixem de se desrespeitadas lá”, declarou.
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Resposta
Na sexta, a direção do Hospital Nossa Senhora do Ó enviou uma nota para tratar das denúncias feitas pela família de Maria Helena.
Na nota, a direção do hospital informou que Maria Helena Nascimento de Santana foi admitida para um implante de marca-passo, no dia 16 de junho. O procedimento foi marcado para o dia 1º de julho, após os trâmites de autorização do convênio.
“Dessa forma, o tempo decorrido entre a internação e a data do procedimento se deu em função de procedimentos necessários à avaliação da situação de saúde da paciente e aos trâmites administrativos inerentes”, informou.
Na nota, a unidade afirma que “não procede a informação relatada de que a enfermagem não tinha conhecimento dos procedimentos relacionados à paciente. Neste caso, será apurado junto à família da paciente o motivo de terem relatado tal situação, a fim de entender o fato”, escreveu a direção do hospital.
Sobre as denúncias de maus-tratos, o hospital disse que “nunca registrou ocorrências desta natureza e que será apurado junto aos supervisores os possíveis fatos relacionados ao caso.”
Em relação à transferência para a unidade do Prado, a direção aponta que “foi realizada de forma correta, tendo em vista a necessidade de manutenção de um equipamento na unidade do Janga.”
O hospital acrescenta que o equipamento existente na unidade do Prado estava em funcionamento até o momento da cirurgia da paciente.
“No mesmo dia, o mesmo aparelho foi utilizado em uma cirurgia ortopédica. Neste caso, o hospital reitera que realiza manutenções periódicas de seus equipamentos e que esse tipo de ocorrência é bastante raro”, informa.
Por fim, o Hospital Nossa Senhora do Ó diz que os “fatos ocorridos serão tratados pela administração diretamente com a família, a fim de evitar maiores transtornos à paciente.”
O G1 também tentou contato com o Hospital Santa Joana para obter informações sobre o estado de saúde da paciente, mas não obteve resposta.
Fonte: G1



